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Channel: Literatura do Guimarães
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Os problemas de Pompeia.

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 Entre os filmes ruins que existem em todo o mundo, são poucos os que rendem vários tópicos apenas sobre seus defeitos.
 E um desses poucos com certeza é Pompeia, filme de 2014 dirigido por Paul W.S. Anderson, que aparenta ser o último suspiro da onda de filmes de catástrofe que se iniciou com o apocalíptico 2012.
 É quase consenso entre todas as pessoas do mundo que Pompeia é um péssimo filme (apenas não procure a opinião de Marcelo Hessel sobre o longa, pois esse cara ás vezes se equivoca feio).
 Entenda, passo por passo, quais são os GRANDES problemas que fazem com que Pompeia seja tão ruim a ponto de merecer que um vulcão a destrua.




 A deficiência do elenco.

 Não, não tem nenhum deficiente mental no elenco. Ou talvez até tenha, mas este tópico não é sobre isso pois não tenho nada conta deficientes mentais, até acho eles engraçados.
  A deficiência mencionada sobre o elenco de Pompeia é simplesmente que os atores mais famosos do longa não confirmam o fato de que aquilo é uma produção para o cinema.
 Três dos atores mais famosos do longa estão FORTEMENTE associados a personagens de seriados. Adewale Akinnuoye-Agbaje (Atticus) é o Mr. Eko de Lost, Keifer Sutherland (Senador Corvus) não teria um nome forte se não tivesse sido Jack Bauer em 24 Horas. E, é claro, Kit Harrington nunca seria escalado para viver Milos, o escravo gladiador, caso não fosse também Jon Snow, no premiado seriado Game of Thrones.
 Os rostos conhecidos presentes na produção são grandes conhecidos da televisão. Somando isso ao roteiro sem profundidade e intensidade (que comentaremos depois), temos a sensação de estar assistindo um filme chinfrim feito pra TV ou a um episódio crossover de 105 minutos com Lost, GoT e 24 Horas.


 Pequenos probleminhas do roteiro.
  
 Um erro histórico que tende a se repetir em muitos filmes de guerreiros e gladiadores (exceto por Gladiador, o clássico do gênero) incluindo 300, Tróia e o recente Hércules. Gladiadores, guerreiros e soldados de filmes "sandália e espada" não deveriam ser malhados. Sim, eles são fortes. Mas essa força foi adquirida em combate e treinamento para combate, que não incluíam os equipamentos avançados que definem uma barriga tanquinho.
 As lutas também são péssimas. Os atores são bem coreografados e todos eles tem um ótimo preparo físico. O problema é que as lutas não parecem reais, e o que é o cinema se não uma simulação da vida real? Quando em uma cena de batalha um dos personagens disfere um murro, o outro apenas parece esperar o murro se aproximar para recebê-lo e então cair. A impressão que isto passa é que antes da luta começar, alguém roteirizou-a (e foi exatamente isso que aconteceu, mas a impressão correta a se passar é a de que tudo é naturalmente espontâneo).


 Outro defeito do roteiro é algo que, sob certa perspectiva, é hilário - O descarte de cavalos.
 Em todo o filme, três cavalos morrem, e de modo exposto. Ou seja, o caro diretor tem um dos piores defeitos que produtores de entretenimento tem: Medo de matar personagens (medo esse que a série Game of Thrones, origem de Kit Harrington, não tem), e sacrifica os pobres pangarés para impor drama sem chocar.
 Mas é um filme de tragédia!!! O objetivo é chocar, o máximo possível!! Porém, o filme tem censura 14 anos. Apenas os cavalos podem morrer tragicamente.
 O pior de tudo é o modo como eles morrem. Um deles é engolido pela água fervente de fontes termais próximas ao vulcão, um método que Anderson achou para simbolizar que o perigo do vulcão estava próximo. Outro morre na cena final, consumido pelas chamas do Vesúvio.
 E a morte mais ridícula de todas (entre os cavalos, óbvio) é uma que se passa em certo momento do filme em que um cavalo de transporte da filha de um rico comerciante sofre um ataque do coração/crise de cansaço e cai ao chão e, para evitar seu sofrimento, Milos quebra seu pescoço. A morte em si não chega a ser ridícula mas sim as circunstâncias.
Que tipo de cavalo transportador sofre um ATAQUE DO CORAÇÃO?


  O romance copião.

 O filme é chupado. Completamente chupado de um grande sucesso.
 Enquanto um desastre natural aniquila várias pessoas enquanto um romance proibido entre um pobre homem e uma mulher de classe social alta luta para se manter vivo.
 A sinopse de Titanic casa facilmente com a sinopse de Pompeia, com algumas diferenças:
 James Cameron (diretor do clássico Titanic) sabe usar o desastre previsível de maneira mais trágica.
 James Cameron É um bom diretor.
 Os efeitos especiais de Titanic não parecem ser gráficos de videogame de Playstation 2.
  O romance entre Jack e Rose é muito mais natural do que o de Cassia e Milo. O amor á primeira vista é muito forçado, em Pompeia. Nenhum deles teria motivos para gostar um do outro, e o casal tem pouquíssimas cenas juntas. A química de Jack e Rose é superior a de Cassia e Milo, um romance que, ridiculamente, é mais desesperado que que os gritos das vítimas do vulcão e mais forçado que a morte de cada um dos cavalos cruelmente assassinados no longa.
 E a cena trágica [SPOILER] da morte de um dos membros do casal é sem efeito. Em Titanic, Rose sobrevive enquanto Jack morre congelado sem opção de salvação, dramatizando o evento e fazendo com que fique para sempre gravado na mente de Rose. Já na cena final de Pompeia, os dois apaixonados morrem. Pulam de um cavalo (que evidentemente morre consumido em chamas) e interrompem sua fuga da lava assassina para algo banalmente mais importante: Um beijo.
 E enquanto a troca de saliva acontece, lava cai sobre o corpo dos indivíduos...e o filme se encerra de maneira mais cafona impossível - O close na estátua dos corpos carbonizados de Milo e Cassia se beijando.
 E a maior diferença entre os dois filmes é que Titanic é lembrado até hoje desde 1997, e que Pompeia estreou em fevereiro deste ano e já está caindo no esquecimento.






 Kiefer Sutherland


 E aqui, talvez a coisa que mais estranhe o filme.
 Convenhamos que Kiefer Sutherland é um ótimo ator e que fez um excelente trabalho como Jack Bauer em 24 Horas. Mas isso se resume em papeis daquela estirpe.
 Agente secreto, utilizando celulares e artefatos tecnológicos.
 Ver Sutherland fazendo uso de roupas medievais, andando em cenários antigos e sendo vilão de filme "espada e chinelo" montado em bigas é algo completamente estranho aos olhos.
 Durante todas as cenas em que aparece, Sutherland parece ser um corpo de algum imperador com sua cabeça inserida digitalmente, de tão estranho que chega a ser o contraste.

 O filme é repleto disso. Jack Bauer com roupa medieval, Sr. Ecko como escravo e Jon Snow apaixonado. Cavalos morrendo , estátuas carbonizadas,paródia sem conteúdo de Titanic...coisas que cairiam muito bem em um filme pastelão de comédia besteirol. E infelizmente, contrastam com este filme de gênero épico...fazendo que "épico" seja mesmo apenas o gênero em que se enquadra, e não uma característica de sua produção.

 Mas se há algo que faça Pompeia ser lembrada (a única coisa, aliás) de modo positivo é a única cena que se assiste e se suspira com orgulho de estar assistindo aquele filme.


 - A barbarian can't die equal a roman.
 - Let's see if a roman can die equal a gladiator.
...
 - Please...please...
 - Gladiators don't bag.

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