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Channel: Literatura do Guimarães
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Eu Também.

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  Um homem caminhava de volta para casa. Sentia-se muito mal.
 Tinha uma das piores vidas da qual já ouvira falar. Sem emprego nenhum, sem um tostão no bolso. Vontade de mudar? Imensa. Incentivos? Zero. Jamais procurava emprego e se, por ventura, encontrasse algum, uma desculpa surgia. Ás vezes inventava uma doença que o impossibilitasse de trabalhar. "Pouco dinheiro", dizia ele. Precisava de mais.
 E pra quê precisava de mais? Preso nas suas veias dos braços uma grande seringa preenchida por substâncias caras. Caras e ilegais. Ilegais e fatais. Justificava bastante a rejeição de empregos. Mas não só isso.
 Seus olhos vermelhos faziam-lhe lacrimejar a todo o tempo. Um cigarro comprido ocupava-lhe os lábios e tirava-lhe o fôlego. Quando abria a boca e soprava a fumaça fétida para o alto um hálito enojante de álcool a acompanhava.
 Continuava andando. Cambaleava vez ou outra com os sentidos entorpecidos das drogas que não lhe davam mais prazer, só lhe davam tontura e lhe traziam á mente tudo que havia de ruim. Não lembrava nem quem era, apenas do que não era - Bom.
 Dois passos á mais. Se sente tonto. Escorrega nos próprios sapatos e cai ao chão. Usa as mãos pra que o rosto não atinja o duro concreto da rua. Se levanta...a mão sangra. O sangue escorre pelo dedo anelar direito. Observa a mão.
 - Eu me odeio. - Resmunga o homem. A mão, a não ser pelo sangue que tanto teimava em escorrer mesmo que fosse chupado e cuspido de volta ao chão em que havia caído, era totalmente limpa. Quando tocava a própria palma sentia uma pele macia, fofa e lisa. Olhou para o dedo novamente e notou que era o dedo anelar. Riu baixinho ao pensar que aquele era um dedo praticamente inútil...jamais colocaria uma aliança ali. Adoraria, mas a mente racional e inteligente que pensava ter sabia que isto não aconteceria.
 - Eu me odeio. - Voltou a resmungar. Chupou e cuspiu novamente uma quantidade considerável de sangue do dedo quando finalmente voltou a andar com atenção pela rua e notou, á sua frente, um casal caminhando de mãos dadas.
 Eles estavam há alguns passos á frente do homem. Andavam despreocupados enquanto conversavam. Envoltos por risos alegres e que, vez ou outra, eram interrompidos por selinhos.


 O homem estava tão perto do casal que podia ouvir parte de sua conversa. Foi quando ouviu a garota dizer de forma espontânea:
 - Eu te amo.
 A resposta de seu namorado não tardou:
 - Eu também.
"Eu também"? Que tipo de resposta é essa? A garota havia acabado de declarar seu amor ao namorado e o rapaz apenas concordou como resposta? Esta era uma das coisas que o homem, que "sem querer" ouviu o diálogo do casal, não conseguia entender. Ela lhe oferece amor, e ele retribui com egoísmo? Com a falta de expressão que não demonstra nenhuma reciprocidade? Simplesmente não entendia.
 Sentiu até dó pela garota. Mas sentiu, com uma intensidade maior, inveja do rapaz. Como pôde ter conseguido uma namorada dando aquele tipo de resposta? Ainda mais uma namorada linda como aquela.
 A garota, mesmo observada de costas, era admiravelmente bonita. Seus cabelos loiros, lisos e compridos balançavam com o vento a cada passo dado pelas longas e grossas pernas da bela garota.
 Gostaria de ter alguém.
 Seu celular começou a tocar. Enfiou a mão no bolso e em um instante já examinava a tela do telefone anunciando a ligação que estava sendo recebida de um número desconhecido. Antes de atender, reparou no dedo anelar. O sangue já não mais escorria.
Atendeu. Uma voz desconhecida lhe perguntou o nome e ele respondeu. Era uma oferta de emprego.
 - Temos uma entrevista pra você. No setor de expedição da nossa empresa. O salário inicial é razoável, mas as oportunidades de crescimento são enormes.
 - Sabe me dizer qual seria o trabalho a ser desenvolvido?
 - Há grandes oportunidades de crescimento dentro da nossa empresa, mas de início ajudaria em serviços como carregamento de caixas....
 - Perdão, não vai dar. - Resolveu interromper. Pôs a mão livre nas costas e se lembrou da dor que sempre encontrava como desculpa. - Eu tenho problemas de coluna e...
 Sua visão lhe interrompeu. Novamente, quase que contra a sua vontade, seus olhos captaram a imagem do casal que caminhava á sua frente. Focou no rapaz. Além de ser alto, andava com passos lentos e retos. Não conseguia de maneira nenhuma imaginar um homem como aquele tropeçando, de tão alinhados e precisos que eram seus passos. E, apesar da volumosa blusa de frio que estava usando, era possível perceber que o rapaz estava andando com a coluna ereta, valorizando seus ombros largos e olhando direitamente para a frente. Volta e meia, a garota soltava uma risada gostosa e confortável de ser ouvida e caía com a cabeça apoiada nos fortes ombros do rapaz. Então, lembrou-se de que estava ao telefone, arrumou sua própria postura e, em segundos, já estava andando com a coluna 'endireitada" como o rapaz á sua frente. Continuou falando. - Eu aceito. Pode contar comigo nesta entrevista.


 Continuaram conversando. Acertaram horário, local e até a vestimenta. Pronto. Estava agendada a entrevista em que, descobriria mais tarde, passaria facilmente. Ao apertar o botão do celular para encerrar a chamada nem notara que seu telefone não era mais simples e antigo como há minutos atrás, como agora era um bem mais moderno, fino e com dispositivo touch screen. Guardou o aparelho no bolso da calça, que já não era mais apertado, rasgado e sujo. Suas roupas, em segundos, se tornaram bonitas, limpas e novas. Isso sem contar seu bolso esquerdo, visivelmente cheio por uma carteira gorda que há poucos segundos atrás possuía apenas dois ou três cartões de pizzarias e números de prostitutas e fornecedores de suas drogas.
 As mudanças foram instantâneas. Instantâneas e imperceptíveis. Seu dedo não mais sangrava.
 O casal á sua frente então o surpreendeu com um ato simples.Diminuíram os passos até que pararam, se aproximaram, deram um beijo rápido porém...fofo? Por que pensara naquilo? Eles apenas tocaram os lábios por menos de um segundo, como poderia achar aquilo fofo?
 O casal voltou cada um á suas posições naturais e voltaram a caminhar. Ainda indignado consigo mesmo, o homem ouviu a mulher comentar algo sobre o 'selinho'. Sobre ser bom. Sobre ser realmente muito bom.
 Sem notar o quanto estava obcecado pelo casal, o homem notou cada movimento brusco ou leve no corpo do rapaz. Enquanto segurava a mão da namorada com o braço esquerdo, o direito se esticou e pegou no bolso um chiclete. Atirou-o a boca. Observando-os pelas costas, notou levíssimos deslocamentos no maxilar do garoto á sua frente e percebeu que o mesmo estava mascando o tal chiclete.
 Riu. Ao abrir a boca com cuidado para que seu cigarro não caísse, a fumaça do mesmo veio até sejs irritados e vermelhos olhos. Lacrimejaram. Seu nariz também se irritou e escorreu. Não era apenas cheiro de fumaça. Era podre. Um odor totalmente desagradável, semelhante a carvão ou um monte de papel queimado.
 Apostava que o hálito do rapaz á frente era agradável. Talvez até com aroma do chiclete que mastigava.


 Os olhos lacrimejaram mais e sua visão ficou, por um instante, deturpada e embaçada como se estivesse vendo tudo através de um óculos cheio de arranhões em suas lentes. Fechou os olhos para que tal sensação passasse e perdeu o equilíbrio. Cambaleou novamente e quase que reencontra o chão mas mantém a postura reta e consegue se equilibrar firmando os pés com força no chão, levantando um pouco de poeira e propagando um som leve como o bater da porta de um carro.
 Ao entreabrir os olhos para se estabilizar, notou que o casal havia olhado para trás por causa do barulho. A garota tinha um rosto lindo, com olhos azuis e traços bem definidos. O rapaz tinha belos e escuros olhos castanhos, com o rosto limpo e um olhar centrado, ciente.
 Assim que se reergueu e se mostrou pronto para continuar a caminhar, o casal voltou a olhar para a frente e caminhando.
 Seus olhos eram vermelhos, o do rapaz castanhos. Seu olhar era sonso e perdido, o rapaz era sério e decidido. Seu hálito emanava uma vida regada a cigarros, bebidas e todo tipo de entorpecentes, o rapaz emanava o aroma de chiclete pela boca. Seus braços eram magros e com seringas espetadas nas veias, já os do rapaz eram fortes e sua mão segurava a mão da garota mais linda já vista por ambos os homens.
 Cuspiu o cigarro no chão. Arrancou as seringas dos braços e gemeu baixo pela dor repentina. Respirou fundo soprando seu hálito para baixo, cuspindo saliva enegrecida de cinzas. Esfregou o rosto com as mãos.
 Descobriu o rosto. Se analisou. Visão limpa. Tinha certeza de que o castanho de seus olhos agora era notável. Há anos não enxergava tão claramente. O mundo parecia até mais bonito, mais fácil...mais seu. Abriu a boca, surpreso. Seu hálito chegou até o próprio nariz mas não lhe fez lacrimejar dessa vez. O odor de ervas, cinzas e álcool agora fora substituído pelo aroma doce de tutti-frutti.
 Ao notar tais diferenças instantâneas no rosto, não tardou a apalpar os próprios braços. Não estavam musculosos como um marombado de academia, mas fortes e saudáveis como de alguém que se alimenta, trabalha e cuida de si mesmo. Não com força sobrenatural e muito menos heroica...porém sentia que poderia levantar o mundo nos braços. Seu olhar se estendeu por todo o próprio braço, seu antebraço...e finalmente as mãos. Notou o dedo anelar. Nele, agora estava uma bela aliança que não se lembrava de ter colocado.
 Como? Não colocara aquilo. Nunca. Afinal, era esse um dos grandes motivos de ter dito, há momentos atrás, que se odiava. Claro, isso e as drogas, o desemprego, a pobreza e toda a medíocre vida que leva...ou levava a momentos atrás. Como tudo mudara? Ou melhor, como poderia ter dito que se odiava?
 Olhou para o casal e viu que andava tão perto deles que poderia muito bem ser confundido com a sombra do rapaz. Notara até mesmo que ele e o tal "namorado" eram estranhamente parecidos.
 Fechou os olhos com força. Abriu-os.


  Mais ainda havia mudado.
  Não se encontrava mais perto do casal. Agora era parte dele. Com braços fortes, andar linear e ciente, olhos castanhos, hálito fresco e empregado. Andava de mãos dadas com a garota. O homem que há pouco seguia o casal com visão entorpecida e sentimentos abalados, agora segurava a mão de alguém tão bela a ponto de abalar sua visão e entorpecer seus sentimentos. Era, ele mesmo, o rapaz que tanto invejara.
 Olhou para trás. Caído no chão, bem perto dele e de sua namorada, um homem jazia morto. Vestia roupas sujas e rasgadas, possuía um cigarro caído perto da boca seguido por baba e pelas seringas que saltaram de seus braços, provavelmente, quando caíra. O rosto era semelhante ao que seu já fora. Olhos arregalados, sem vida e vermelhos como sangue. O dedo anelar da mão esquerda rasgado. Em carne viva.
 Podia ter sido seu fim. Aquele podia ter sido seu destino se não houvesse mudado. Adorava sua nova vida. Como pôde ter dito que se odiava?
 - Eu te amo. - Ouviu sua namorada dizer com a voz doce que chegou a seus ouvidos anunciando finalmente a paz e alegria de uma vida digna.
 Olhou novamente a si mesmo. Possuía dinheiro. Estava saudável. Apresentável. Dependente de si, ciente e vivendo como um ser humano deve viver. Sentia orgulho de si mesmo. Respirou fundo e sentiu seu pulmão limpo. Olhou para a namorada e a respondeu:
 - Eu também.

O Lamentável Destino de Júpiter

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 Desde o final dos anos 90 que os irmãos Wachowski tentam emplacar sucesso e fazer nome como grandes diretores. Mas não dá. Simplesmente não dá.
 Eles conseguiram, em Matrix, usar todo o talento que tinham disponível. Claro, isso foi bom porque nos presenteou com um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos. Mas também foi péssimo, pois nos obrigou a assistir mais vários filmes péssimos dos mesmos diretores, que só lembramos o nome porque é um nome bonito e porque...um deles trocou de sexo nesse meio-tempo.
 As sequências de Matrix, A Viagem, Speed Racer...nada que veio deles agradou. Cada um de seus serviços apenas tem a utilidade de mostrar o quanto Matrix foi um golpe de sorte.
 Então, pra essa lista, acaba de entrar o mais novo filme dos irmãos - O Destino de Júpiter, aventura de fantasia e sci-fi extremamente cafona e mal feita.
 Afinal, todo ano precisa de um filme que logo no começo mostra ser uma enorme besteira cômica.



  Antes de tudo, vem a história do filme. Junto com a sinopse, uma decepção - O título é uma farsa!
 Em 1990, Paul Verhoeven se aventurou e dirigiu O Vingador do Futuro, filme com cenas em Marte e ousou em dirigir uma história futurística que se passasse em um planeta do nosso Sistema Solar ao invés de ter que inventar um próprio. O título "O Destino de Júpiter" prometeu repetir esta fórmula e finalmente utilizar um planeta que só foi mencionado, na cultura pop, por Chapolin Colorado. Vamos todos animados ao cinema para ver aliens e aventuras em Júpiter, certo? Errado!
 O filme pouco tem a ver com o planeta. Apenas o fato de ser o maior planeta do Sistema Solar e motivar o pai cientista a dar o nome do planeta a sua filha. Então, sim. Júpiter é apenas o nome da personagem protagonista. "O Destino de Júpiter"é, na verdade, "O Destino de Mila Kunis".
 Júpiter (além de possuir um nome masculino e ser homônima de Zeus, pais dos deuses e dos homens) mora com a mãe e boa parte da família russa nos EUA, trabalhando como empregada doméstica. Apaixonada por astronomia, a garota entra, com o primo, em um esquema que vai lhe dar apenas cinco mil dólares (e, desses cinco, utilizará quatro para comprar um telescópio) - Vender seus óvulos.
 Afinal, de nada lhe seriam úteis esses óvulos. Júpiter nunca se apaixonara e nunca tivera alguém em sua vida pois nem nesse assunto honrava o nome que recebera.
 Pois durante determinada cirurgia, pequenos alienígenas a atacam...e outro a salva.
 Assim nos é apresentado Caine Wise, o personagem de Channing Tatum.


 Caine é uma mistura genética de lobos com terráqueos e por isso possui tal exótica aparência. Justo com os cabelos loiros tingidos como os de Ted Mosby  ele traz para Júpiter a notícia de que ela é a reencarnação da rainha Abrasax, mulher de noventa milênios de idade que possuía três filhos e um grande tesouro - o planeta Terra. Ou seja, cabe a Júpiter impedir que nenhum de "seus" filhos tomem posse da Terra e façam dela o que bem entender.
 Realmente é um desafio fazer com que uma história assim desse certo. Astronomia casando com reencarnação? São raríssimas as ocasiões em que ciência e assuntos mais místicos como religião ficam bons ao serem misturados assim. Parece tudo combinado.
 Por que que a tal rainha foi ser assassinada com noventa mil anos de idade? Quem quer que fosse o assassino, ele com certeza teria tempo pra pensar nisso antes. Pelo menos uns quarenta mil anos de antecedência (afinal, neste Universo a idade adulta é alcançada em algo perto de treze ou quatorze milênios). E mesmo assim, porque teria que reencarnar justamente em uma terráquea qualquer da Terra? E que reencarnação é essa que acontece quando alguém morre e reencarna imediatamente em alguém que já está vivo? Mas tudo bem, essas questões são místicas e não precisam de argumento. Mas é realmente estranho que um filme dos mesmos criadores de Matrix seja tão sem propósito.


 Mas tudo bem. Uma ou outra falha no roteiro é relevável se os personagens compensarem em personalidade. Afinal, não é toda a política de Star Wars que o fez ser aceito, e sim a maldade de Darth Vader e o estilo arrojado de Han Solo.
 Mas, por falar em personalidade, onde está a de Mila Kunis? A atriz já mostrou que sabe ser cativante em Livro de Eli, Amizade Colorida e até na série de tv That 70's Show. Só que alguma coisa aconteceu e, de repente, ela perdeu todas as expressões faciais.
 Quando temos um filme cujo gênero não é romântico e possui uma mulher como protagonista, espera-se que seja uma personagem feminina forte e que honre o posto de protagonista. Júpiter não é nada disso. A coitada passa de doméstica a rainha com uma naturalidade no rosto que beira a tédio e incompreensão. Ao invés de se espantar com qualquer coisa (como a existência de vida em outro planeta ou reencarnação de seres milenares que usam um planeta como herança) ela apenas pergunta "Como funcionam essa botas voadoras?", artefato utilizado em quase todas os obras com aparelhos futuristas.
 Se você descobre, de uma hora pra outra, que é dona da Terra, como reagiria? Assustado com a responsabilidade ou animado com o poder que possui. Aí é que Júpiter mostra o quanto é diferente de qualquer ser humano, o que talvez justifique seu nome bizarro - A garota passa o filme todo com uma paixonite irracional, instantânea, desnecessária e ridícula pra cima de Caine Wise. Claro, ela é realeza e ele é soldado...e ele até tenta a lembrar disso. Porém, Júpiter o responde com a frase mais ridícula, engraçada e penosa do filme.
 - Eu tenho mais em comum com um cachorro do que com você.
 - Eu sempre gostei de cachorros. Eu amo um cachorrinho. 
 Claro, foi o suficiente para que a internet começasse a adorar a ideia do romance dos dois e produzir montagens aos montes sem se lembrar do mais importante : NÃO É CERTO FICAR PENSANDO EM HOMEM QUANDO VOCÊ ACABA DE DESCOBRIR QUE É DONA DO PLANETA TERRA E PRECISA RESOLVER UMA TRETA ENTRE TRÊS FILHOS SEUS QUE SÃO MAIS VELHOS QUE VOCÊ!
 Sem mencionar que Júpiter não demonstra nenhuma autossuficiência já que leva tombos a todo momento e sempre tem o bonitão do Caine pra segurá-la em seus braços fortes e observá-la com seu rosto de Amaterasu.
 Mas tudo bem, se o filme não tem um protagonista que preste é sempre legal recorrer aos vilões.


 Devido a completa insignificância e falta de ameaça que os outros dois irmãos representavam, sobra para Balem Abrasax o papel de vilão. E infelizmente, o cumpre muito mal.
 Interpretado por Eddie Redmayne (ator que está concorrendo ao Oscar de melhor ator por Por Toda a Minha Vida do Stephen Hawking A Teoria de Tudo), Balem tinha até que certo potencial para ser um vilão épico e se tornar o novo fetiche das meninas depois de Tom Hiddleston e Benedict Cumberbatch. Balem foi uma tentativa falha de recriar o sucesso de Loki (dos Vingadores, Thor e Thor 2). Seria uma pena se as únicas características aproveitadas de Loki em Balem fossem:

  • As cenas em que Loki escandaliza e chora.
  • O jeito afeminado e elegante
  • Os problemas psicológicos causados pela mãe a frase "Você não é minha mãe!"
 Em suma, Balem passa o filme todo chorando, gaguejando, tremendo e querendo parecer vilão quando, na verdade, não assusta ninguém.
 Um vilão assim tão fraco só consegue se sustentar em uma ocasião - Quando há algum outro vilão mais poderoso por trás dele. Exemplo? Quirrel e Voldemort, em Harry Potter e a Pedra Filosofal.
 Porém, nenhum de nós quer algo maior por trás de Balem. Afinal, pra quê puxar sequência disso, né?
  Não há um único personagem que salve. O roteiro também não salva. Sobram duas coisas - O visual e a tecnologia.



É até estranho pensar que um filme de visual tão fora de tom esteja nas mãos da Lana Wachowski. Ela tem um estilo próprio e agradável aos olhos. Já o visual de seus filmes não agrada em nada.
 Destino de Júpiter possui péssimos figurinos e terríveis maquiagens para os alienígenas.
 Além do cabelo mal tingido de Channing Tatum, os olhos estranhamente encantadores de Sean Benn e o vestido florido de Júpiter...o filme resolve nos surpreender com um desnecessário, bizarro, feio e perturbador alienígena com cara de elefante.
 E isso é apenas uma das infinitas bizarrices.


 A questão que, desde Speed Racer, não quer calar é - Se o único filme bom dos Wachowski é Matrix (que tem todo o seu visual em tons de preto e verde), por que eles continuam tentando fazer filmes em que fusões de arco-íris e psicodelia predominam?
 A roupinha de couro da Trinity era tão bonita e funcional...por que o vestido de casamento de Júpiter precisa ser assim florido como um cospobre da Princesa Amidala?


 E sobre a tecnologia vale sempre mencionar o uso do 3D.
 Fui ver o filme com minha namorada no cinema e nós dois estávamos com os óculos. No
meio do filme, um homem sentado ao lado nota que estamos com os óculos e pergunta "Esse filme é 3D? É que tá normal."
 E ele realmente estava certo. O filme possui excelentes efeitos especiais e a computação gráfica utilizada nas naves espaciais e em suas lutas é incrível. Claro que poderia ter sido gasto mais dinheiro nas coreografias das lutas físicas do que nesses guerras aéreas desnecessárias, mas os efeitos são bem feitos (mesmo que rápidos e incompreendíveis) e coerentes. Porém, não tem 3D no filme!
 Em certas cenas até há a oportunidade dele ser usado, como quando Caine dispara um tiro na direção da tela. Mas não. Nada. O 3D é ignorado e o tiro fica fora de foco.
 O uso do recurso tridimensional só é realmente notado em duas cenas:

  • A cena da abdução, onde partículas de 'nada' pairam próximas a cabeça do espectador.
  • E a cena das abelhas voando, quando enxames pairam próximos a cabeça do espectador.
 Ou seja, nada de relevante.

 Portanto, não permita que nenhum dos atrativos do trailer de Destino de Júpiter te leve ao cinema.
 A atuação é fraca. A ação é decepcionante. Os personagens não tem carisma. O cenário é cafona e o 3D não é utilizado.
 Tudo isso só pega carona no sucesso que Guardiões da Galáxia e Star Wars fizeram, copiando apenas os aliens bizarros mas sem compensar com roteiro ou personagens satisfatórios.
 As poucas funções do filme são avisar pra Warner não produzir mais nada dos Wachowski e mostrar pros fãs de quadrinhos que Channing Tatum realmente não pode ser o Gambit.
 Ah, e também não deixe a campanha de publicidade da Warner te levar ao cinema apenas para matar uma dúvida besta sobre Sean Bean.


 Afinal, a resposta pra essa pergunta é "Não".

Resumão do Oscar 2015.

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 Pois é, já faz quase uma semana que rolou a cerimônia do Oscar 2015 e todo mundo já sabe os ganhadores em todas as categorias de cor e salteado. Mas todos sabemos que o mais legal não é a premiação em si, mas a cerimônia. Dessa vez, tivemos o Barney Neil Patrick Harris na apresentação de uma festa não tão divertida quanto a do ano passado mas que nos arranca diversos sorrisos.
  Acompanhe agora, mesmo que com um pouco de atraso, um resumo básico de CADA segundo do Oscar.
 E se tiver faltando algo que, por favor, reclamem nos comentários. Quero, tanto quanto vocês, saber de tudo que rolou na festa mais esperado do ano...todo ano!!




 Começando pelo início, como de costume - Quem não pirou com a abertura?


 A expectativa de estarmos com Neil Patrick Harris apresentando era enorme. Afinal, ele é tão gay, talentoso, animado, engraçado e Barney quanto a Ellen Degeneres. E como a maioria de nós o amamos pelo seu papel em How I Met Your Mother (ou por, infelizmente, Smurfs) foi mais do que justo que ele abrisse a cerimônia cantando uma canção e, por meio de sua sombra, fazendo mágicas que honrassem os milhões de "tricks" que desenvolvia na série de TV.
 Uma canção perfeitamente linda e bem ensaiada sobre filmes. E assim como em HIMYM, não faltaram referências.
 O ponto alto foi quando Anna Kendrick (primeira coisa boa que fez na vida) surgiu pra realizar o dueto com piada sobre o final de alerta exemplar. Fato que fez Neil retrucar com "Spoiler alert?".
 Depois o Jack Black interrompe falando mal da indústria cinematográfica mas a música volta logo e acaba. Assim, começando magistralmente o Oscar.


Depois disso, a roupa do pessoal na plateia foi o que começou a chamar atenção.
 Primeiro, a Lupita Nyong'o.

 Se no ano passado ela foi polêmica ao usar um vestido azul e totalmente chamativo na cerimônia esse ano ela foi mais calma e usou um vestido com SEIS MIL pérolas da Calvin Klein. Talvez menos polêmico, só que bem mais ecologicamente incorreto.


 E o vestido da Naomi Watts tava lindo. Foi feito pelo mesmo cara que faz pinturas realistas de pedras em muros de escolas...mas tava lindo.


 E, de volta ao Tapete Vermelho, eu aprendi que o Senhor das Estrelas é noivo da mina do Todo Mundo em Pânico. Por quanto tempo ignorei esse casal?
 Mas nada foi tão comentado no quesito visual quanto a grandiosa Lady Gaga. Mesmo discreta para seus padrões, a D1V4 POP foi alvo de muitos comentário graças a seu vestido de servente, suas luvas de lavar louça (ou de capturar o Pikachu sem levar choque) e seu belíssimo penteado semelhante a alguém que todos conhecemos.

Bruxa dos 71 Grammys.
Infelizmente, o avental é montagem.
Um visual tão lindo que fez a Oprah sair correndo.
 Falando em Oprah, uma das melhores piadas (e uma das mais constrangedoras também) foi feita por Neil Patrick Harris em relação a famosa apresentadora.
 O "host" brincou com o fato de Sniper Americano ter faturado mais do que todos os outros filmes indicados a melhor filme.
 "É como se todos os filmes fossem vocês desse lado da plateia. E Sniper Americano é a Oprah. Porque você é rica."
 A reação da 'vítima' foi a melhor.


 Sobre os apresentadores do Oscar, algumas peculiaridades foram vistas na cerimônia.
 Lupita Nyong'o sabe disso e mesmo já possuindo uma estatueta em sua casa pelo papel em 12 Anos de Escravidão , tremeu na base e se confundiu ao entregar o prêmio de melhor ator coadjuvante. Ao invés de "o Oscar vai para..." soltou um cômico "e o ator vai para..." .
             


Ao anunciar Reese Whiterspoon, Neil soltou um desajeitado trocadilho ao dizer que ela poderia ser comida com uma colher. O trocadilho se baseia que, em inglês, "com uma colher" tem o mesmo som que o sobrenome da atriz. With a spoon.
 Liam Neeson também deu as caras na cerimônia. Dessa vez para, além de assistir a festa, para subir ao palco e falar um pouco sobre alguns dos indicados.


 Mas o melhor, assim como muitas outras vezes, foi a maneira como foi anunciado pelo host do evento.
 "Ele vai te achar e vai te matar." Uma bela prova de que Neil Patrick Harris assiste todos os filmes do mundo...e que nós vemos muitos, pra termos entendido as referências.
 Mas o que todo mundo REALMENTE estava esperando (Ou talvez só eu) aconteceu e finalmente a coitada da Idina Menzel teve sua vingança.


  Pra quem não se lembra, no Oscar do ano passado John Travolta ficou maluco ao anunciar Idina Menzel ao palco e a chamou de Adele Dazeem. Isso gerou três coisas interessante no Oscar desse ano:
  • Uma piada do apresentador sobre Benedict Cumberbatch ser o nome que John Travolta chama ao tentar falar Ben Affleck.
  • Idina Menzel e John Travolta entregaram juntos o prêmio de Melhor Canção Original.
  • Idina Menzel teve o direito de se vingar e anunciar John Travolta como Glom Kazingo.



  E falando das canções e cantores, as performances ao vivo de todas as músicas indicadas a Melhor Canção Original foram lindas. Todas elas. E se não lindas, ao menos empolgantes.


 Adam Levine, do Maroon 5, cantou com majestosidade Lost Stars, do filme Mesmo se Nada der Certo.



 Tim McGraw também mandou bem cantando "I'm Not Gonna Miss You" do filme "Gleen Campbell...I'll Be Me".



 Rita Ora performou Grateful, música indicada pelo filme Beyond the Lights.


  Com certeza a melhor e mais emocionante performance no Oscar. Glory foi indicada pelo filme Selma. A música arrancou lágrimas de todos na plateia, inclusive da Oprah. E filho, pra fazer a Oprah chorar....não é fácil não.


 Isso sim é que foi música! A música Tudo é Incrível, ou Everything is Awesome, foi performada por Tegan and Sara com participação especial do BÁTIMA.
 Foi a coisa mais animada, feliz e psicodélica que eu vi em toda a minha vida!


 E ainda por cima, deram Oscar de Lego pra todo mundo que não tinha como ganhar Oscar de nenhuma maneira.

A Emma Stone ficou muito feliz!
O sorrisinho do Steve Carrel paga até um Oscar de verdade.

Oprah ganhou por interpretar Oprah em Oprah.

  Depois disso ainda houve uma única coisa que decepcionou no Oscar. Ou melhor, pelo menos os que tinham conhecimento da obra de Bolaños ficaram decepcionados.
 Durante a parte de In Memorian homenageando  todos os artistas que morreram em 2014 como Robin Williams, morte mais comentada. 
 Infelizmente, se esqueceram de um dos melhores roteiristas, diretores, atores e comediantes que perdemos em 2014 - Roberto Gomez Bolaños. Mas mesmo assim, a Internet tomou conta para que ele fosse lembrado.


 Ah e claro, já que as músicas foram mencionadas não podemos esquecer de mencionar que a Lady  Gaga resolveu tirar a roupa de faxineira , colocar um vestido lindo e fazer uma homenagem a Sound of Music (O nosso tão querido Noviça Rebelde).
 Claro, o efeito negativo é que milhões de fãs de Noviça Rebelde apareceram. Nunca viram o filme, mas okay...


 Ah, e o Neil Patrick Harris finalmente fez algo á altura do Oscar que não fosse suas piadas.


 A Ellen Degeneres, apresentadora do último Oscar, se vestia de fada, pedia pizza, tirava selfie e trocava de roupa toda hora. É difícil competir com isso. Mas Neil Patrick Harris se esforçou e provou que é um ótimo hoast....e que assistiu todos os filmes indicados.
  Como prova, ele andou pelos corredores do Oscar apenas de cueca fazendo sátira a uma cena de Birdman (vencedor de melhor filme) com as características baterias ao fundo, que acompanham o filme todo. Quando o ator finalmente chega ao palco, nota que é Miles Teller  (ator protagonista de Whiplash, filme sobre bateristas) tocando a bateria. Neil se aproxima dele e diz "Não está no meu tempo", fazendo referência a uma cena de Whiplash. Genial!
 Depois, ainda de cueca, se aproxima do microfone, encara a multidão e solta:
 - Atuar é uma profissão nobre.
 Parabéns, Neil Patrick Harris! Você conseguiu ser um pouco mais genial do que considerado.


  E pra que o resumão se encerre, segue a lista de vencedores do Oscar 2015. Em minha sincera opinião, todos foram completamente merecidos e justos, a não ser pelo de trilha sonora.
 Quem acompanhou a cobertura em tempo real pela página RandoManiacs, da qual faço parte, sabe o quanto estava torcendo por Birdman e o quanto fiquei feliz quando ele ganhou.
 Segue a lista de premiados!


Melhor figurino - O Grande Hotel Budapeste
Melhor maquiagem - O Grande Hotel Budapeste
Melhor filme estrangeiro - Ida.
Melhor curta live-action - Phone Call
Melhor documentário em curta-metragem - Crisis Hotline: Veterans Press 1
Melhor mixagem de som - Whiplash
Melhor edição de som - Sniper Americano
Melhor atriz coadjuvante - Patricia Arquette
Melhores efeitos especiais - Interestelar
Melhor curta animado - Feast.
Melhor montagem - Whiplash
Melhor documentário - Citizen Four
Melhor canção original - Glory, de Selma
Melhor Trilha Sonora - O Grande Hotel Budapeste
Melhor roteiro original - Birdman
Melhor roteiro adaptado - O Jogo da Imitação
Melhor diretor - Alejando G. Iñarritu
Melhor ator - Eddie Redmayne
Melhor atriz - Julianne Moore
Melhor filme - Birdman!

 E assim se encerra um resumão do Oscar 2015, valorizando todos os momentos célebres da cerimônia. Além de, é claro, concluir um fato irrevogável:
 O de 2014 foi melhor!
 Até Oscar que vem!!!
Meryl Streep gritando "ELLEN DEGENERES ERA MELHOR!"

Vinte e um.

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Este é blog é na maior parte do tempo dedicado a textos escritos por mim - Raphael Guimarães. Mas quase nunca abrimos espaço para que outros autores tenham oportunidade de publicar textos seus, mesmo que prefiram manter sua identidade preservada.
 A crônica abaixo foi escrita pelo autor J.R., e tem como título "Vinte e um"!



  Hoje seria o dia que eu imaginei que não acabaria numa viagem entorpecida: Conheceria uma garota que tenho contato por Whatsapp desde o ano passado em que eu via algo além de só sexo e "vou te acompanhar até sua casa. Por fotos, sempre me encantou seu estilo..." e CHEGA!
 Enfim, nos encontramos no terminal Butantã e lá descobrimos que não tinha nenhum ônibus direto pro Parque. Mas decidimos então pegar mais de um ônibus.
 Depois de dois ônibus chegamos naquela ilha de Lost com poluição paulista chamada Ibirapuera. Particularmente, adoro aquele lugar - mas não quando se está sem maconha e com uma guria que foge da primeira garoa.
 Procuramos e procuramos lugares secos pra princesa da Disney não se molhar. Aí aquele céu cinza começa a desabar, abri o guarda-chuva e tentei fazer uma cena romântica imaginando que era Tobey Maguire em Homem-Aranha. 
 Das frescuras á parte, a mina beija bem, me batia a cada aproximação de seu decote e, como imaginava, conversa bem. Com dezessete anos já é bem determinada com o que quer da vida...além de problemas com ex-namorados tatuadores. Era amorosa e isso me atraía...Até o momento que ela resolve ir embora ás três da tarde no meio da chuva! E aquela sensação de esperteza por ter ido com a camiseta mais fresca por causa do calor foi levada pelo vento gelado que a chuva trouxe.
 Acompanhei ela até o ponto de ônibus com muita raiva por dentro. Metade com São Pedro que fez seu trabalho a tarde toda e metade com aquela imagem que eu tanto detesto: IR EMBORA CEDO DO ROLÊ! EU ODEIO ISSO!
 Mas tentei manter a calma.
 "Tá bravo?""Não..." Por umas cinco vezes.
 Ela entrou no ônibus e o que mais me distraiu foi uma mulher tentando suicídio da ponte. Como sempre, meu jeito único de distrair a mente já tentou imaginar qual seria o problema dela. Já lembrando que meu dia não estava tão ruim.
 Depois de dois ônibus, metrô, linha amarela e algumas paixonites...cheguei em casa. Com fome mas focado na dieta. E o que me aparece em casa? Pizza e pastel! Mas como sou pior que o The Rock em "Pain and Gain", comi pão com frango desfiado.
 Estudei e fumei um baseado mais ou menos ás nova horas da noite. Besteiras da internet, Whatsapp com rolos e a mina do meu "dia maneiro". Isso ainda vai dar alguns rolês.
 Fumei mais um beck e terminei o dia como não queria quando acordei.


Por Trás da Letra de A Sua Assinatura (Matanza)

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 Depois de sete álbuns (sendo um ao vivo, um de covers de Johnny Cash e outros cinco autorais), o Matanza, depois de três anos sem nenhum lançamento, resolveu dar as caras.
 Em abril, será lançado o disco novo da banda intitulado de Pior Cenário Possível..
 E foi no dia 9 de Março de 2015 que a primeira música do disco foi revelada. "A Sua Assinatura" possui uma letra curta porém difícil de se decorar pela velocidade agradável em que Jimmy London profere os versos bem ritmados porém muito chiques em sua vulgaridade (a peculiaridade das letras do Matanza, em sua maioria compostas por Donida, é sempre falar de bebedeira e vagabundagem com termos cultos e palavras garbosas).
 Já o instrumental resgata um medo que surgiu nos álbuns "A Arte do Insulto" e "Odiosa Natureza Humana" e que pensávamos ter sido aniquilado em Thunder Dope - O medo do Matanza ter se esquecido de que seu grande diferencial é a pegada country e quase cômica de seus riffs e partir direto pro lado hardcore da coisa. O medo é que esses cariocas tenham se cansado de cantar countrycore sobre bebedeira e vida de bar para cantar apenas uma espécie de hardcore sobre um sujeito raivoso, anti-social e porradeiro.
 Mas, como mencionado antes, Thunder Dope já resgatou nossa esperança com as excelentes faixas Devil Horse (que, como disse o crítico Thiago Cardim, possui guitarras que imitam banjos) e My Old Friend Liver. E também devemos lembrar que essa levada country também aparece nos álbuns anteriores, como em "Sabendo que Posso Morrer".
 A esperança se mantém erguida de que o Matanza não irá nos decepcionar, como nunca decepcionou, e o que se tem a fazer é gritar, balançar os cabelos e ouvir repetidamente A Sua Assinatura, sem esquecer de prestar atenção em sua letra, digamos que, curiosa.



Clique aqui para ouvir a música.

  Eu posso ouvir e posso ver você tentando se esquivar de mim.

 Aparentemente, o eu lírico da canção é alguém que tudo sabe, tudo ouve e tudo vê. Inclusive alguém que pode sentir se a pessoa a quem se refere está fugindo dele. E qual ser onisciente é perigoso o suficiente para que alguém fuja dele? Jimmy London, o vocalista da banda, dá voz, evidentemente, ao famoso Diabo.

 Você nunca foi um cara muito esperto.
 Acha que de mim não vai chegar nem perto.
 Mas eu estou há poucos passos de você.

 Parece que é realmente inútil fugir. O Diabo está atrás do indivíduo a quem a letra se refere e o Diabo está em todo lugar. Seria impossível escapar. Você foi burro de criar motivos para tal indivíduo estar á sua busca e prova ainda mais sua burrice ao tentar fugir.

 Mas tudo bem.
 Porque eu sei do gosto ruim que a paranoia tem,
 Sei do desconforto de quem sente medo.

 A fuga é até considerada aceita. Quando o próprio Capeta está em seu encalço, é impossível não se sentir desconfortável, paranoico e apavorado. E o próprio perseguidor, conhecedor experiente do desconforto, paranoia e pavor, entende o quanto é fácil cometer atos sem sentido em situações assim onde o cérebro não funciona corretamente.

 Não há bebida que afogue o seu segredo.
 Há um passado que não pode revelar.

 Impossível se livrar dessa sina. O referido foge do demônio devido a algum segredo encrustado em seu passado. E bebida nenhuma o faria esquecer disso e, talvez, faria-o até se lembrar de maneiras mais assustadoras do que "deve" ao Cramunhão.

 Mas soube me pedir, saiba também me pagar.
 Fácil como foi ter vindo aqui me procurar.
 Eu sei como se sente, eu sei que se arrepende.
 É assim com muita gente.

 Mas se essa assinatura é sua, sua alma impura agora vem pra mim.
 Mas se essa assinatura é sua, sua alma impura vem pra mim.

 Realmente, o referido possui uma dívida com o Diabo. Em algum momento de sua vida ele chegou a ter procurado pelo tal e pedido-o algum tipo de ajuda. E, como dita a cultura popular, este indivíduo não acorda nada com ninguém sem receber algo em troca. E o trato, segundo este trecho (que representa o refrão da canção) deixa bem claro o regulamento do contrato: O Capiroto ajudaria o indivíduo em algo e, como recompensa, ganharia a alma impura do rapaz para si mesmo depois de alguns anos. Com direito a assinatura em cláusula contratual e tudo o mais.
 O tempo chegou e, como é de se esperar, a parte humana do pacto se arrepende e agora foge de sua responsabilidade acordada no passado. O tal "passado que não pode revelar".

 Eu derrubei muita gente pra poder te transformar em rei.
 Tinha um porco que te olha com desprezo.

 Neste trecho, fica evidente que o pacto foi em busca de uma alta posição econômica-social a qual o receptor da letra com certeza não fazia jus. Aliás, o pactuado não só era desqualificado para o cargo que almejava (a qual o Diabo se refere como "rei") como era alguém de caráter tão baixo e personalidade tão desprezível que até mesmo um porco o olharia com desprezo.

 É tão irônico que encontre-se indefeso
 Eu faço muito gosto em vê-lo decair.

 Se é irônico que a personalidade pactuada esteja sem defesa nenhuma contra a ameaça do Senhor Das Trevas é porque, por boa parte de sua vida ou pacto, sempre esteve bem protegido. Usava e abusava de seu poder aquisitivo para que não pudesse ser atingido por nada nem ninguém.
Por isso mesmo que agora que está em maus lençóis, o Diabo se diverte ao ver a reversão rápida de acontecimentos.

 Não sei dizer o que explica a obsessão de ter pra aparecer.
 De conseguir as coisas sem merecimento.
 E é por isso que agora o atormento.
 Com a verdade que não quer admitir.

 Com o último trecho da música a ser entonado pelo gigante holandês que é Jimmy London algumas outras coisas podem ser compreendidas: O sujeito que fez um pacto com o Diabo não merece e muito menos se esforça em busca de nenhuma conquista, mas deseja os méritos sem derramar uma gota de suor. Justamente por esses motivos que compactuou com Lúcifer e agora possui o mesmo lhe atormentando, repetindo um fato que não poderá negar: Sua alma não é mais sua e sim do Senhor do Inferno, o Diabo.

 Mas soube me pedir, saiba também me pagar.
 Fácil como foi ter vindo aqui me procurar.
 Eu sei como se sente, eu sei que se arrepende.
 É assim com muita gente.

 Mas se essa assinatura é sua, sua alma impura agora vem pra mim.
 Mas se essa assinatura é sua, sua alma impura vem pra mim.
 Mas se essa assinatura é sua, sua alma impura agora vem pra mim.
 Mas se essa assinatura é sua, sua alma impura vem pra mim.

 Com o refrão encerrando a música, Matanza finaliza a primeira faixa de seu ainda não lançado disco com uma letra mostrando algo que o Matanza nunca havia feito: Ao invés de mencionar o Diabo como um sócio, um inimigo, um amor ou até mesmo uma espécie de chefe....a letra se narra como se o vocalista, ou a banda em si, não tivesse relação com o Coisa Ruim e sim realmente fosse a personificação de tal entidade.
 Assim sendo, o Matanza explicita com "A Sua Assinatura" de que a assinatura chave da banda que deve estar presente em todo CD é essa suposta maldade crescente, que vem ficando mais poderosa e cruel há cada faixa de cada disco do grupo. 
 Se for pensado que o primeiro álbum possuía a palavra "Santa" em seu nome e que o próximo se chamará "Pior Cenário Possível", não é difícil supor que o oitavo álbum da banda venha a se chamar Inferno. Tudo em prol da filosofia de Matanza ficar cada vez mais cruel, cada ver pior.
 Até porque, como Jimmy London já dizia, "quanto mais feio, mais ela me ama e mais ela me quer".

Que Vença o Melhor - Bob Esponja - O Filme VS Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água

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 Quando uma série animada ganha notoriedade e auto-confiança o suficiente para ser transformada em longa-metragem, muito está em jogo. Os fãs de cinema precisam ser agradados, os fãs do próprio desenho animado precisam ser agradados, Crianças devem gostar. Adultos devem gostar. O filme deve faturar o suficiente para cobrir os gastos de produção (afinal, animações são bem caras). E, como o mundo do entretenimento agora funciona assim, deve ter potencial para gerar sequências.
 Se foi assim com tantos filmes animados, não seria diferente com Bob Esponja.
 A série da Nickelodeon tão aclamada, apesar de boba e com um tipo de comédia infantilóide disfarçada de infanto-juvenil, conquista fãs por todo o mundo e está em TODA prateleira de lojas de brinquedos, farmácias e roupas com estampas.
 Em 2004, o primeiro longa da série, Bob Esponja  - O Filme, saiu nos cinemas e, agora em 2015, o segundo filme foi lançado com o título de Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água.
 A questão é a seguinte: Com dois filmes baseados no mesmo desenho animado, como concluir qual dos dois é melhor? Debaixo de cinco quesitos, poderemos chegar a uma resposta.






 Primeiro Quesito - Qual filme tem o melhor roteiro?

 Bob Esponja - O Filme - De início, não soa nada diferente do que se está acostumado nos episódios. A coroa do rei Netuno é roubada e a culpa fica com o Sr Sirigueijo, tudo devido a um plano de Plankton para conseguir a fórmula do hambúrguer de siri. Enquanto Bob e Patrick Estrela partem em busca da coroa, uma subtrama comovente os aterroriza  - Os seres marinhos devem provar para todos que não são meninos, e sim homens. Isso tudo sem se esquecer da ameaça real que é um Rei zangado pelo sumiço de sua coroa. A motivação é convincente para um desenho animado, a subtrama aterroriza os fãs do filme tanto quanto os personagens e o desfecho é realisticamente confortável.

 Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água - Okay, o repeteco da trama de roubo da fórmula do hambúrguer de siri funciona novamente. A fórmula desaparece e agora Bob Esponja e Plankton devem trabalhar juntos, já que sem a fórmula do hambúrguer, a Fenda do Bikini, em dois dias, se transforma em um universo pós-apocalíptico e com visual de filme pornô sadomasoquista. A motivação não é convincente e  nenhum pouco assustadora - Afinal, seria engraçado ver a Fenda do Bikini nessa situação. Mas se a motivação é fraca, a tal subtrama é ainda mais. Plankton precisa lutar contra seu senso de maldade para aprender a trabalhar em equipe. Se bem trabalhado, haveria uma ÓTIMA identificação com as crianças e pré-adolescentes que veriam o filme...mas isso não ganha nenhum foco no filme e não gera nenhuma identificação. Diferente, por exemplo, de em A Era do Gelo 2 quando o personagem Diego luta durante todo o filme contra seu medo de água durante o aquecimento global. Um ótimo exemplo de superação e motivação e animação, no qual a Nickelodeon e os quatro roteiristas do longa deveriam ter se espelhado.

 Placar: Bob Esponja - O Filme 01 VS Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água 00




 Segundo Quesito - Qual filme tem a melhor trilha sonora original?

 Bob Esponja - O Filme - O filme é basicamente uma introdução enorme ás músicas tão bem escritas, contagiantes e alegres que se espalham pelo filme. Alheias á trilha própria do filme, há duas cançõezinhas cantadas pelos personagens - O hino "Estou pronto, promoção" que Bob canta durante o começo do filme e que fica na sua cabeça até horas depois do longa ter acabado, e o mantra sagrado de Amendobobo, música infantil do personagem mascote de uma lanchonete/sorveteria famosa no Oceano. Dentro da própria trilha, a canção Já Somos Homens é criativa, contagiante e com excelentes rimas. E o filme também se encerra da melhor maneira possível - Bob Esponja cantando que não é homem e sim um Amendobobo, com direito a clipe de glam rock e paródia de I Wanna Rock, do Twisted Sister.

 Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água - A canção "Trabalho em Equipe", tema da subtrama do filme assim como "Já Somos Homens" era no primeiro longa, é fraca, sem carisma nenhum e ainda atropela todas as suas rimas mal feitas com um ritmo descompassado e rápido que torna incompreensível, ainda mais pras crianças, a letra da canção. O que salva a SDTK do filme de ser um completo lixo é a música final, onde o non-sense dos episódios de Bob Esponja se faz presente e ainda homenageia as Epic Rap Battles da Internet, com um golfinho cósmico e gaivotas duelando sobre a irritante música tema do Bob Esponja.


 Placar: Bob Esponja - O Filme 02 VS Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água 00

 Segundo Quesito: Qual filme possui os melhores personagens originais?



 Bob Esponja - O Filme - Os personagens possuem muita originalidade e personalidade forte e sem falhas de conduta em nenhum deles. Além de, é claro, o número alto de personagens criados especialmente para o filme. Mesmo que isso enfraqueça um  pouco a trama por deixar de lado personagens importantes na série como Lula Molusco e Sandy,, a trama se fortalece ao ganhar caras novas que possam te cativar pela primeira vez no filme. Isso se dá, por exemplo, pelo Rei Netuno, pelos peixes do bar para homens, pelos monstros que os seguem durante a jornada, pelo Dennis e pelo Ciclope da Cidade das Conchas.

 Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água - Como o roteiro é basicamente uma versão mais esticada e engraçada de qualquer outro episódio de Bob Esponja, o filme se sustenta com os personagens já conhecidos pelo público. Mas se fosse pra que não houvesse inovação, melhor seria apenas lançar a história como um episódio especial de uma hora e meia. Porém, a ausência de personagens novos em abundância é compensada pelos dois personagens originais - O pirata BarbaBurger e o alucinante Golfinho Cósmico. Infelizmente, nem mesmo um Golfinho Cósmico pôde substituir a presença ilustre de Rei Netuno no primeiro filme,


 Placar: Bob Esponja - O Filme 03 VS Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água 00

 Quarto Quesito - Em qual filme há melhor aproveitamento da comédia non-sense?



 Bob Esponja - O Filme - Todo mundo sabe que o que salvou Bob Esponja de ser um desenho animado sem sucessos e bobo,como muitos da Nickelodeon, foi o uso de piadas sem nexo algum, esbanjando criatividade e arrancando risos pela surpresa, originalidade...e ausência de sentido. E essa é uma das poucas coisas que falta no longa de 2004. As piadas se mantém seguindo fielmente a linha do roteiro, e a sequência de cenas é coerente e sem nenhuma criatividade. Por incrível que pareça, um filme do Bob Esponja é um dos poucos longas que ficão ruins se feitos com um roteiro sem furos. O longa compensa toda sua ausência de non-sense na música final, com direito a Bob vestido de mago e Patrick com meia-calça e salto alto.

 Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água - Se no primeiro filme o non-sense faz falta, neste ele é aplicado em doses cavalares - E isso é ótimo. Mesmo que o roteiro seja corrido e que nenhum objetivo do longa seja alcançado, você ri do começo ao fim. E é impossível imaginar outro motivo para ir ao cinema assistir um filme do Bob Esponja (ou produzido pela Nick em geral) se não for para dar risada. Desde os super-poderes dos personagens, seus trajes de super-heróis, passando pela viagem no tempo e pelo visual pós-apocalíptico até chegar em um golfinho atirador de laser e a representação da loucura por misturar lixo normal com lixo reciclável. Sem nexo nenhum, as piadas da animação te arrancam gargalhadas como qualquer esquete do Monty Python faria.


 Placar: Bob Esponja - O Filme 03 VS Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água 01

 Quinto Quesito - Qual filme possui as melhores participações de atores em live-action?




 Bob Esponja - O Filme - Convenhamos que David Hasselhoff não é um excelente ator. Mas talvez a sacada mais genial que a Nickelodeon já teve foi colocar Hasselhoff pra interpretar ele mesmo em live-action no filme de Bob Esponja. Tem como dizer que este não é um dos maiores plot twists de todos os tempos? Alguém esperava que, em algum momento,David Hasselhoff fosse aparecer como personagem? O filme merecia mil pontos no placar só por essa ideia que com certeza veio do mesmo cara que escreveu TODAS as piadas de Um Herói Fora D'Água e os roteiros de Community. Inovador!

 Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água - Assim como devemos concordar que Hasselhoff não é um excelente ator, também devemos concordar que Antonio Banderas é um excelente ator. Mas isso não é importante em um filme do Bob Esponja. Não interessa quantos prêmios Banderas ganhou, isso não se compara com a participação de Hasselhoff no filme anterior. Além de estar no filme desde o início e não proporcionar nenhuma experiência original ao roteiro, o pirata interpretado pelo ator espanhol faz uso de um humor bobo e extremamente 'torta na cara'. E o filme ainda perde um milhão de pontos por mostrar Slash no trailer do filme e não deixar que o coitado do guitarrista ao menos dê as caras no longa. Muito potencial de ator e celebridade pra pouco aproveitamento.


 PLACAR FINAL
Bob Esponja - O Filme 04 X Bob Esponja Um Herói Fora D'Água 01.
Vitória de Bob Esponja - O Filme.

 Pois é. Por mais que a melhor coisa de Bob Esponja (a comédia sem sentido) esteja mais presente no segundo filme, muitos outros fatores provam o quanto que Bob Esponja - O Filme é superior.
 E se a tendência é ficar ainda pior, rezemos para que não haja um terceiro longa do Calça Quadradas.
 Não, não estamos prontos,capitão. Agora, por favor, deite e role no dinheiro que faturou com estes dois filmes....e comemore a vitória de Bob Esponja - O Filme neste duelo.

THC

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 Puxei beck, puxei beck, puxei beck
 Puxei!
 Puxei beck, puxei beck,puxei beck
 Puxei!

 É só um som aleatório, não vem com interrogatório
 Peguei dinheiro do Monopoly e queimei
 Minha viagem é de graça, conseguida lá na praça
 Legal pros meus parças mas não pra sua lei.

 Eu vou pra cadeia por me sentir feliz
 mas na tristeza da minha mãe ninguém pensa, né? Me diz.
 Me dá prazer e é natural, cresce no mato igual cacau
 mas chocolate não é ilegal.

 É considerado loucura
 meus olhos vermelhos, meu cheiro nos dedos e a minha tontura.
 Eu quero entender qual é o problema
 se todas as preocupações eu peguei rapidão e enrolei na seda. (2x)

 Eu sei que é crime, por favor não atire
 Pois bala de polícia ,além de doer, corta a brisa.
 Escute o que eu te falo, meu caro gambé
 Morre mais gente por álcool, dinheiro e mulher (mulher).

 Se fosse pelo mundo eu seria assassino,
 mas tal fuga embeleza a vida e me deixa bonzinho.
 O ódio sempre passa com a ajuda do verde
 que traz com força o sono, a fome e a sede.

  É considerado loucura
 meus olhos vermelhos, meu cheiro nos dedos e a minha tontura.
 Eu quero entender qual é o problema
 se todas as preocupações eu peguei rapidão e enrolei na seda. (2x)

 Se fossem pedras eu acordaria em frias vielas e fendas
 Mas já que são ervas, viajo pras belas capelas de Valfenda.
 Você com a paz em carência, veste uma venda e corre pra igreja.
 E eu com a flor da ciência só gasto minha renda com abstinência.

  É considerado loucura
 meus olhos vermelhos, meu cheiro nos dedos e a minha tontura.
 Eu quero entender qual é o problema
 se todas as preocupações eu peguei rapidão e enrolei na seda. (2x)

Pré-julgamento de Trocando os Pés

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 Uma das coisas mais erradas de se fazer no ato de julgar um filme é, com certeza, não tê-lo assistido antes de criticar. Mas só por ser errado não significa que as pessoas não façam.
 Todos sabem que você fica enojado de tanta melação ao ver o trailer de Cidades de Papel, assim como já até deu nota no IMDB pro Mad Max: Estrada da Fúria.
 Uma das coisas que mais ajuda no pré-julgamento de um filme (o famoso pré-conceito) é, claro, o ator principal. E todos sabemos a má fama que Adam Sandler tem entre os cinéfilos.
 Trocando os Pés, novo filme estrelado pelo ator, estreia dia 09 de abril de 2015 e seu elenco, produção, roteiro e trailer é o que nos ajuda a ter uma noção do que é que ele vai ser...




 Primeiro de tudo - A história.
 Na trama apresentada pelo trailer, o protagonista, Max, trabalha como um sapateiro em Nova York e leva uma vida completamente solitária e triste. O que o trailer diz ser "passar os dias resolvendo o problema dos outros"é apenas "passar os dias costurando a sola do sapato alheio" como ganha-pão.
 Até que em determinado momento, recebe a chance de adicionar um pouco de emoção em sua vida monótona - Ganha, como herança familiar, uma máquina de costura mágica, que faz com que Max possa assumir a forma de qualquer cliente seu apenas calçando seus sapatos (desde que tenham sido costurados com a tal máquina mágica). Os problemas começam quando Max passa a se atrapalhar e se envolver com a mulher alheia, pegar dinheiro que não lhe pertence e encarnar clientes que já passaram dessa pra melhor. Durante toda a comédia, o maior "ajudante" de Max é o um sábio e vivido barbeiro do qual é amigo, interpretado pelo genial Steve Buscemi, vencedor de Globo de Ouro. E claro, Dustin Hoffman (já não tão em alta) faz participações no filme.
 O roteiro chama a atenção, isto é inegável. Como que uma ideia tão criativa, original e única poderia dar errado? Fácil, do mesmo jeito que Click deu.


 É tão difícil perceber o quanto que um filme promete ser igual ao outro?
 Um protagonista descontente com sua vida profissional e pessoal encontra um objeto mágico que pode o ajudar a realizar mudanças drásticas em sua vida mas que acaba lhe fazendo cometer erros dos quais se arrepende. Tudo isso enquanto é ajudado por um amigo sábio interpretado por um ator renomado e ainda encontra um personagem interpretado por um ator que não está tão em alta.
 Basta trocar "sapateiro" por "arquiteto", "máquina de costura" por "controle remoto", "se transformar em pessoas" por "pular partes da vida", Steve Buscemi por Christopher Walken e Dustin Hoffman por David Hasshelhoff . Pronto. Trocando os Pés acabou de se transformar em Click. Sem contar que Michael e Max são até nomes parecidos.
 E, se realmente o filme seguir a mesma linha que Click seguiu...as chances de ser um péssimo filme são enormes.


 Porém, não façamos deste julgamento apenas uma comparação de um filme já lançado com um do qual, até agora, só vimos o trailer.
 Outro fator que colabora para o conceito que estabeleceremos sobre Trocando os Pés: Adam Sandler, o ator protagonista.
 Sandler, como quase todo ator americano de comédia, iniciou sua carreira no humor como comediante stand-up (galgando os mesmos passos de Jim Carrey e Chris Rock). Sandler era realmente engraçado como comediante pois tinha liberdade e maturidade em suas piadas, agradando a apenas um público - O público que gosta do humor mente-aberta, sem exageros e inteligente. Em função disso, trabalhou como ator no famoso Saturday Night Live e de lá partiu para estrelar filmes e comédia que não conseguiram manter o que o ator tinha de melhor - A tal da comédia inteligente e com liberdade de brincar com o que bem entendesse, tendo em vista que o público de stand-up e de cinema é bem diferente, infelizmente deixando Adam Sandler pior do que já era.
  Assim sendo, pouquíssimos filmes de Sandler podem ganhar o status de bons. Alguns ganham pela qualidade do roteiro, que nos faz esquecer a futilidade das piadas e da atuação batida de canastrão sarcástico de Sandler, como O Paizão, Como Se Fosse a Primeira Vez e Eu os Declaro Marido e Larry. Alguns outros são bons por causa da alteração de tom e do uso de Adam Sandler - Por exemplo, nos filmes Espanglês e Reine Sobre Mim, o ator interpreta personagens dramáticos com fortes veias cômicas que de forma contida e madura conseguem arrancar sorrisos mais naturais e inteligentes do que as gargalhadas que A Herança de Mr. Deeds provoca.
 Então, Sandler não é um problema se for usado para piadas que não sejam bobas e/ou forçadas e para um personagem dramático e contido com forte veia cômica. Infelizmente, o trailer nos mostra algo completamente diferente!


 No trailer, algumas das piadas (ou momentos com a intenção de serem engraçados) vistas são
 - Max se assustando ao se transformar em alguém morto.
 - Max colocando a mão dentro de sua calça, ao se transformar em mulher, e descobrir que se trata de um travesti.
 - Max dando, por algum motivo, choque em sua própria mão.
 Ou seja...uma comédia baseada em gritos, piadas de sexo e personagens sentindo dor. Coisa que vemos com frequência em JackAss e Pânico na Band.
 A premissa do filme é bem interessante e, se pudermos dizer, inteligente. Toda a ideia gira em torno da expressão inglesa 'andar nos sapatos de alguém'.
 Quando alguém diz que está andando nos sapatos de alguém, significa que esse indivíduo está se pondo no lugar dele, imaginando como é a situação e como seria se fosse consigo mesmo. E o modo como uma expressão linguística se transforma em um roteiro é fascinante.
 E essa brincadeira com comédia, filosofia de auto-ajuda e magia bem parece coisa do digníssimo Woody Allen. E quando algo pode ser chamado de "comédia Woody Allen", com certeza vale o ingresso.
 Mas não quando apenas promete ser uma "comédia Woody Allen" e mostra ser um humor de grito, sexo e pessoas se dando mal. Woody Allen faz isso, mas faz valer a pena de uma maneira bem sutil.
 E outra coisa sobre Adam Sandler - O rosto dele está cada vez menos expressivo, mais triste e deprimente.
 Na época de Como Se Fosse A Primeira Vez, ele até que mantinha as aparências de garanhão.

Agora dá só uma olhada em como os anos de má atuação destruíram o coitado.


 Quando o ator é ruim, ainda há algumas poucas chances dele conseguir se encaixar no personagem,como por exemplo:
 O personagem pode ser um péssimo personagem e, aí sim, o talento do indivíduo (ou a falta de talento) se aplique ao que o diretor almeja para o filme.
 Ou então o ator, mesmo sendo ruim, ser cativante e carismático.
 Se isso que você vê ao lado é cativante ou carismático...bom, eu não sei o que é constrangedor, bizarro e desconcertante.
 Aliás, o próprio pôster do filme também não é dos melhores.



 Imagine que a trama do filme promete inteligência mixada a filosofia e comédia pura e leve.
 E imagine que o pôster mostre o personagem protagonista calçando um sapato feminino e reafirmando que o que o trailer está prometendo jamais será foco no longa-metragem.
 Mas é claro que há sempre uma luz no fim do túnel que pode reviver nossa esperança pelo filme:
 Thomas McCarthy, diretor do longa, roteirizou Up - Altas Aventuras. E se houver uma vivalma que venha dizer que Up não é um bom filme, haverá uma gigantesca discussão.
 Mas então a tal luz no fim do túnel tremula - Uma pessoa pode sim ser um ótimo roteirista e um diretor ruim. Afinal, o roteiro ruim por ser um diretor bom. Mas um diretor ruim não tem nada a fazer com um roteiro ruim. E, é claro, é triste mencionar que de toda a lista de filme dirigidos por McCarthy, não há um que seja algo além de 'regular'.
 A única variável é a de que desta vez o diretor escolheu um ator ruim para trabalhar a seu lado. Das outras vezes, os selecionados foram Peter Dinklage,Richard Jenkins e Paul Giamatti.
 Só por Deus, hein!


 E por analisar alguns desses pormenores, é fácil concluir o que o trailer grita do começo ao fim - Este filme poderia ter sido bom, se fosse com outro protagonista e se o roteiro realmente se levasse a sério.
 E antes que digam - Não, não é cisma com o Adam Sandler. O ator apenas não passa uma impressão boa e a culpa é toda de sua filmografia insatisfatória.
 Afinal, Trocando os Pés parece que será apenas mais um filme que parece interessante mas que, no final, será uma comédia forçada.
 Como Click, O Rei da Água, Um Faz de Conta que Acontece e muitos outros...


Velozes e Furiosos 7 - Prós e contras.

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 Acabou de ser lançado o tão comentado Velozes e Furiosos 7!
 Mesmo estando em primeiro lugar nas bilheterias brasileiras (e faturando MUITO no resto do mundo), ainda há os terríveis cinéfilos que se recusam a assistir ou gostar dos filmes da franquia. Claro que ninguém é obrigado a gostar, afinal não é o melhor filme do mundo nem no quesito de ação e nem no quesito corrida (e em quesito nenhum), mas não se pode negar que há vários fatores a serem comentados sobre a franquia.
 Então o que se resta é comentar o que é ruim no filme, o que faz chorar, o que é engraçado e o que é que vai ser lembrado daqui a trinta anos. Tudo isso analisando os prós e contras do longa, tanto em individual quanto fazendo parte de uma franquia.




  O primeiro Velozes e Furiosos foi lançado em 2001, nas mãos do diretor Rob Cohen, e especula-se que seja um remake de The Fast and Furious de 1955 dirigido por Edward Sampson e John Ireland (mesmo que a única coisa que os dois filmes tenham em comum seja o nome).
 Depois de Cohen, a franquia passou, respectivamente, na mão de John Singleton (Quatro Irmãos e Sem Saída) e Justin Lin (Annapolis e a primeira temporada de Community). Até que finalmente, chegou a vez de James Wan (Jogos Mortais, Invocação do Mal, Sobrenatural e o futuro Aquaman).
 E o recém-estreado Velozes e Furiosos 7 prova que Wan não é apenas um bom diretor de terror como também é um grande diretor de ação, e isso já nos deixa um pouco mais animados para Aquaman, o primeiro filme de herói nas mãos do diretor malasiano.


 E isso nos leva a um dos prós - James Wan, em seus filmes de terror, abusava de ambientes escuros, trilha sonora sem clímax e o ato de mostrar o mínimo possível a ameaça do filme. Isso tudo valorizava o gênero do terror e criava cada vez mais suspense e empolgação para que quando o "mal" fosse mostrado, valesse um ótimo susto momentâneo e um medo eterno. E com Furious 7, Wan mostra ser um diretor inteligente o suficiente por usar os melhores recursos de cada gênero para tornar seu filme o mais completo possível.


 E isso já é visto na primeira cena. A cena de abertura do longa é incrível e já realiza três atos que seriam difíceis de serem realizados na mão de outro diretor :

  • Apresenta com êxito o vilão do filme, interpretado por Jason Statham.
  • A motivação do vilão (mesmo que fraca) é explicada em segundos - Vingar a morte do irmão.
  • E, com uma cena de luta entre Statham e The Rock (ou Dwayne Johnson, se você for chato), fica provado que a ação está muito bem aplicada.
 Como sempre, Wan utilizou os melhores recursos que o gênero ação tem - Explosões, ângulos malucos de câmera (durante as cenas de luta, explosão e corrida o chão se torna teto e/ou a câmera gira mostrando a mesma cena simultaneamente por diversos ângulos, dando DETALHES sobre como as coisas estão acontecendo e te colocando ainda mais por dentro da cena) e a imortalidade de personagens, pois se a primeira luta de The Rock e Statham fosse uma luta real, nenhum deles sairia vivo, enquanto, no filme, um sai inteiro e o outro apenas vai para o hospital.
 E logo depois de The Rock ser enviado para o hospital, Statham (ou Deckard Shaw, que é o nome de seu personagem) vaga em direção ao seu real alvo - Dominic Toretto (Vin Diesel), Brian (Paul Walker) e o resto da "família".
 Aliás, isso nos leva a outro ponto interessante sobre o filme.
 O vilão.


 Deckard Shaw.
 Remember Owen Shaw? This is his big, bad brother.
 A motivação do vilão é simples. Seu irmão mais novo, Owen, morreu em decorrência dos atos da equipe protagonista da franquia Velozes e Furiosos. Então, ele quer se vingar. Básico, clichê e suficiente.
 Porém, assim como um protagonista precisa ser cativante e lhe dar motivos para gostar dele, um vilão necessita de uma boa personalidade que lhe faça odiá-lo e o leve a ter certa felicidade quando este for derrotado. E é impossível dizer que Deckard é um bom vilão.
 Aparece apenas para brigar, atirar, explodir e bater seu carro com o de Toretto. Só isso. Sem comentários sarcásticos, sem frases de efeito e sem atos cruéis o suficiente que lhe tornem um vilão ao nível. Não que a franquia tenha um nível muito alto, mas deveria pelo menos se auto-respeitar na hora de criar um vilão, afinal este é o SÉTIMO filme. Eles tiveram tempo pra aprender.
 Mesmo assim, foi uma atitude inteligente escalar Jason Statham. O personagem só tem uma frase marcante ("Achou que isso seria uma briga de rua?"), não fala e age bruscamente. Só com um ator famoso para que o espectador pudesse se cativar e se divertir nas cenas com ele.
 Mas não adianta, poderia até ser o Schwarzenegger. Se não houver personalidade, não é válido.
 E o vilão acabou sendo um dos contras.


 Aliás, é interessante que o vilão seja mal construído. Ainda mais dentro de um filme como Velozes e Furiosos 7, onde todos os personagens são muito bem construídos. Pelo menos, todos os que já vieram de outros filmes. Até os que possuíam menor participação nos filmes anteriores (como Tej e Roman) ganharam personalidade melhor construída com piadas sarcásticas e cenas cômicas que servem como chave para quebrar o clima de suspense e impedir que a ação se torne monótona durante o longa. E essa personalidade necessária a coadjuvantes de filmes de ação é um grande pró.
 Como, por exemplo, as cenas em que Roman diz querer ser o líder da equipe, ou quando resolve dar em cima de Ramsey (personagem nova, interpretada pela linda Nathalie Emmanuel) ou até mesmo na cena icônica em que todos estão pulando de um avião dentro de seus carros e Roman reluta com medo até o último instante. Cena prestes a se tornar uma marca da franquia (e a virar piada recorrente para os próximos 'capítulos').
 E falando nestes personagens cativantes, entra um deles que é tão cativante e atrai tantos comentários que ele, por si só, é um grande "pró" do filme.


 The Rock!
 Okay, sabemos que ele não gosta mais de ser chamado de The Rock e quer ser chamado por seu nome de batismo - Dwayne Johnson. Mas como chamar alguém do porte dele de Dwayne Johnson sendo que The Rock é mil vezes mais apropriado?
 Sabemos melhor do que ninguém que os ídolos clássicos de hoje, um dia já foram novidade. Ou seja, existem pessoas que viram as lendas de Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger se
tornarem lendas. E talvez nós estejamos vivendo a época em que The Rock se tornará uma lenda, isso se já não for.
 Pensem bem, o cara é o mais próximo de um Arnold Schwarzenegger que a nossa geração tem. Arnold começou como fisiculturista, The Rock como lutador. Arnold era, por sua condição fisica, um ator de ação nato, The Rock também. Arnold fez filmes cômicos e infantis que eram engraçados pelo contraste (Um Tira no Jardim de Infância, Um Herói de Brinquedo), The Rock (O Fada do Dente, Treinando o Papai) também. E Arnold teve, durante toda a sua carreira, os exageros clássicos sobre sua força, assim como The Rock.
 E esses exageros se fazem AINDA MAIS presentes e evidentes durante todo o desenrolar de Velozes e Furiosos 7, onde há uma sequência de absurdos que desafiam a biologia humana sobre tudo que The Rock pode causar e aguentar.
 São coisas como ser atirado em uma parede sem sangrar, erguer pedaços gigantes de concreto com o braço ferido, disferir socos que arremessam as pessoas a metros longe e quebrar o gessos apenas forçando o músculo de um braço que tornam The Rock uma lenda viva que daqui a trinta anos permanecerá sendo lembrada.
 E de todos, o último contra de Velozes e Furiosos 7 é o que impede o filme de realmente ser um ótimo filme mesmo fora do gênero de ação - O roteiro.


 Como já mencionado anteriormente, o vilão do filme é insatisfatório. Então, como proceder quando todo o roteiro do longa se move a partir do vilão?
 A história se dá devido ao desejo de vingança mútuo - Tanto da parte de Shaw por vingar seu irmão quanto da parte de Toretto e companhia para vingar a morte de Han (que morreu no terceiro filme da franquia mas cuja falta só foi sentida agora devido a cronologia maluca dos filmes). E acrescentando mais detalhes (como uma viagem a Dubai e um dispositivo hacker chamado Olho de Deus), este é basicamente o roteiro do filme.
 Claro que seria até um roteiro legal se tivesse recebido o foco suficiente. Os seis filmes anteriores estavam totalmente dentro de uma vibe de crimes, ilegalidade e ação que este acabou saindo muito do tom...e, de certo modo, passou do nível baixo de "meloso" que deveria atingir.
 O que deveria ter sido uma continuidade satisfatória a franquia acabou se tornando um grande "tchau" para Paul Walker, algo que ficaria bem melhor se posto como trama de segundo plano e não se mantivesse em evidência o tempo todo.
 Pra quem não sabe, Paul Walker, intérprete de Brian O'Conner, faleceu no final de 2013 em um irônico acidente de carro (como disse Erico Borgo) e deixou as gravações do filme pela metade. Ou seja, a equipe PRECISOU improvisar.


 É muito ruim que o roteiro inteiro se submeta a se despedir do personagem de Paul Walker, mas isso também traz um pró para o lado do filme - O modo como a produção reagiu a morte do ator criou uma lista de coisas incríveis presentes no filme:

  • Em primeiro lugar, o modo como o ator foi substituído. Para cenas em que ele não estava presente, dois recursos foram utilizados. Seus irmãos Cody e Caleb Walker serviram como dublês de corpo enquanto sua face e voz foram inseridos genialmente no longa por pura tecnologia, utilizando-se das técnicas milagrosas de WETA, a empresa de efeitos especiais do Peter Jackson responsável pelo CG de Senhor dos Anéis e O Hobbit.
  • O roteiro, claro, precisou ser alterado ás pressas pra que tudo acabasse resultando no fim da participação de Paul na franquia. E isso sem deletar a ideia original do roteiro.
  • O modo como o filme acaba e o lindo jeito que a equipe e Vin Diesel encontraram para se despedir de Walker é de encher os olhos - Cada um em seu carro, conversando sobre o rumo da vida...Diesel e Walker seguem estradas diferentes.
Mesmo com toda essa beleza e lágrimas que surgem no final de Velozes e Furiosos 7, não dá pra parar de pensar que se Walker estivesse vivo o filme teria sido um fiasco. Afinal, o que salva a trama é a sub-trama de despedida para seu personagem, que não existiria se o ator não tivesse falecido.
 Pois a conclusão sobre o filme não poderia ser outra - Com muitos prós em áreas complementares e contras nas essenciais, Velozes e Furiosos 7 é bom no que precisa ser (ação) e ruim no que poderia ser bom (roteiro).
 De resto, só nos sobra pensar o que será da franquia sem um de seus protagonistas.
 Como seguir em frente sem Brian? Ou melhor, será que vão realmente deixá-lo para trás?

Entrevista - Glauber Lopes

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Glauber Lopes é ilustrador paulistano. Tem trinta e um anos e desenha dese os seis. Influenciado por obras diversas como Turma da Mônica e Dragon Ball Z, decidiu bem cedo que iria trabalhar com quadrinhos.
Cursou design gráfico  pois era o mais próximo que existia de histórias em quadrinhos. Com muito suor, esforço, estratégia, criatividade e autenticidade, Glauber está atualmente com o projeto Registros que acabou de bater a meta! Uhuul!!
 O Literatura do Guimarães o convocou para que pudéssemos bater um papo saudável sobre quadrinhos...e rendeu BASTANTE! Acompanhem!



LDG – Você disse que foi bastante influenciado por quadrinhos, a ponto de ter decidido a carreira quando criança e escolhido a faculdade baseado nisso. Na sua fase adulta, como trabalhou essa vontade louca de fazer quadrinhos com a necessidade de trabalhar?

Glauber - Já na fase adulta, fiz faculdade de design gráfico pois era o que mais se aproximava do que eu queria naqueles tempos.

LDG – Onde se formou?

Glauber – Me formei nas faculdades Oswaldo Cruz – FAITER.
Nesse meio periodo entre faculdade, formação e o que eu deveria fazer com a minha vida, muito do que eu gostava ficou pra trás porque naqueles tempos não tinha previsão se seria possível viver de ilustrações, muito menos quadrinhos...Então tentei trabalhar em alguns estúdios com design, mas eu nunca encontrei alegria nesses lugares.
 Foi então que comecei a refletir o que eu poderia fazer. Enquanto isso, estava buscando maneiras de manter os quadrinhos vivos. Percebi uma onda crescente de webcomics surgindo na internet então testeria com algum título.
Foi aí que nasceu minha HQ Speed, que conta com 80 episódios hoje em dia, mas desenhados apenas 2 (eu não conseguia encontrar tempo pra desenhar sempre porque chegava muito quebrado do trabalho).
O primeiro episódio tinha levado um ano pra fazer (2008), e o segundo levei mais um ano (2009). E o segundo episódio só saiu por que fui em uma feira de cultura japonesa na época e vendi todas as cópias do primeiro exemplar. Daí queria imprimir uma segunda leva com o segundo, terceiro e quarto episódio, mas eu não estava conseguindo fazer. Vivia trocando de emprego e nenhum me agradava. Tinha perdido o gosto de desenhar por prazer, já que tudo que eu tinha que fazer era por dinheiro. Me incomodava também o fato de todos falarem que mangá não funcionava no Brasil...e eu queria provar que as coisas eram diferentes. Que quadrinho em estilo mangá  poderia ser algo bacana, desde que muito bem feito.

Página de Speed!

 Glauber - Mais uma vez, eu não encontrava tempo pra produzir as coisas do jeito que queria e estava muito desmotivado. Conforme estudava o nosso mercado, descobri que histórias seriadas não vingavam devido a seu alto custo de produção. Nessa época eu lembro que não queria mais saber de produzir até descobrir o que eu poderia fazer com aquilo tudo. Depois de 2009, cheguei a conclusão apenas no final de 2011 que o que eu deveria fazer eram histórias curtas. Dessa forma, poderia seguir trabalhando e concluir algo.
 No comecinho de 2012 escrevi então uma história chamada "Mãe", com começo, meio e fim. Me dei conta de que tinha sido a primeira vez que tinha feito isso, por que tudo que sempre desenhei eram histórias de muitos capítulos (seguindo o raciocínio japonês de histórias seriadas...eu adoro isso).
 Comecei a colocar ela no papel, e apenas pelo storyboard percebi que ela teria mais de 300 páginas.  Pensei comigo que conseguiria desenhá-la dentro de um ano ou dois. Precisaria apenas seguir ganhando dinheiro como freelancer e dando aulas. Mas na época os trabalhos não apareceram mensalmente, me forçando a procurar empresas pra trabalhar como assalariado novamente. Mais uma vez, eu estava sempre cansado e não conseguia produzir nada...
 Foi então que deixei mais uma vez uma estória de lado e achei que era hora de fazer ,então, uma história ainda mais curta. Foi onde nasceu Registros, em que a primeira história eu publiquei inteira no Facebook e tinha apenas 12 páginas. Senti uma alegria muito grande porque enfim tinha conseguido terminar algo! E as pessoas me dando feedback de que gostavam foi ainda melhor!
 Essa motivação toda me fez perceber que eu não estava pronto para grandes histórias...que eu precisava me disciplinar a fazer coisas curtas, pra depois ir aumentando...e assim eu segui desenhando o segundo episódio de registros quando tinha dinheiro comigo. Os freelas foram aumentando, e eu tinha mais tempo pra desenhar a HQ. Apesar disso, só consegui terminar de desenhar HQ no ano de 2014, em meados do final de setembro.
 Foram dois anos de produção e nesse tempo estava procurando maneiras de aprender a desenhar mais rápido. Acabei aprendendo várias técnicas de pintura que me tornaram mais rápido. Acredito que foi por isso que consegui terminar esse projeto. Feito isso, ainda nesse meio tempo, fiz páginas da HQ A Última Fábula de Francisco Costa.
 Percebi como estava desenhando rápido e minha produção tinha melhorado por conta da quantidade de coisas que era capaz de entregar por mês. Feito tudo isso, era hora de investir na campanha pro Catarse, onde levei mais dois meses de produção. Hoje a luta segue pra tornar esse projeto real enquanto participo de outros, como o livro Ciclanos e Ciclanas, de Pedro Balboni.

Ciclanos e Ciclanas


 Glauber - Minha ideia é atingir a meta final dessa campanha, e quando entregar todas as recompensas e trabalhar na venda de Registros, separar o ano que vem para começar meu novo título, que está semi escrito, mas precisa de mais aprofundamento. Aí essa história será em estilo mangá adulto.

LDG - Entendo, cara. Você até que tem uma puta história de vida, relacionada a persistência. (risos)

Glauber - Meu lema é perseverança sempre (risos). Teimosia também (risos).

LDG -  Essas suas duas primeiras histórias, Speed e Mãe. Eram sobre o que?

Glauber - Speed era mangá adolescente, sobre um garoto que queria se tornar campeão de campeonato de bikes no mundo. Ele queria ser o maior e melhor de todos. A história começa em São Paulo, um time de bike bem pequeno que vai crescendo no decorrer do tempo. Mas quando leio, hoje em dia, vejo vários problemas no roteiro e que tenho que mexer em muita coisa.



 LDG – E Mãe?

 Glauber - Mãe já é uma história mais adulta e cruel onde uma menina de doze anos sofre na vida por ter uma mãe inconsequente e irresponsável. Essa mãe acaba se suicidando, se jogando na linha do trem, e a menina fica sozinha no mundo com seus dois irmãos menores. Essa história fala de como as pessoas podem ser egoístas de várias formas.

 LDG - São duas histórias com premissas e tons bem diferentes uma da outra. Isso tem a ver com a sua situação na época em que fez cada uma ou é porquê as ideias vieram de lugares diferentes?

 Glauber - As ideias vieram de lugares diferentes da minha mente, mas todas tem relação comigo. A primeira fala muito da perseverança, que você já percebeu que faz parte de mim. (risos). A segunda fala sobre o ego,e  o meu incluso. Em outras palavras – São fragmentos de mim.

 LDG - Mas como encara as duas histórias? São pessoais a ponto de deixá-lo exposto caso algum conhecido as leiam ou são pessoais estritamente pra você, baseado nas coisas que você pensa e sente sobre os temas sendo abordados?

 Glauber – Segunda opção (risos). A única história que eu me exponho diretamente é Registros...que não tem como ser diferente. Mas na real, eu não gosto de falar de mim...eu prefiro falar de outro jeito. Como a maioria dos quadrinistas fazem.

Desenhos de "Mãe".

 LDG – E onde essas duas primeiras histórias podem ser achadas?

 Glauber - Em lugar nenhum, por enquanto (risos). Eu preciso consertar a primeira e fazer a segunda.  São histórias que considero bacanas e que merecem conhecer o mundo.

 LDG - Você disse que gosta de falar de si mesmo utilizando suas obras como outros quadrinistas. Quais são seus quadrinistas favoritos e os que mais lhe influenciam?

 Glauber - O primeiro deles é Akira Toriyama que, sem sombra de dúvida, foi o meu grande mestre a distância e que me treinava sem saber. Takehiko Inoue e a sua incrível maneira de contar histórias que encantam, como Slam Dunk e Vagabond. A primeira, um tanto quanto adolescente mas que te prende fortemente. Fico pensando como uma pessoa conseguiu transformar uma história de basquete em momentos tão fodas. E Vagabond que é super visual...um mangá "quieto", por que muito do que se passa lá te faz querer ficar parado em um quadrinho por minutos...você quer ler a imagem. E na verdade, você precisa, se não, não vai entender a história. E pra terminar os artistas que me influenciam visualmente, tem o Hiroaki Samura, com a maneira espetacular de contar uma história de forma cinematográfica.
Ilustra de Florent Sacré, um dos ícones do Glauber.
Agora os que me influenciam na parte de roteiro, fotografia e outras coisas, tem o Miyazaki do Studio Ghibli, o Naoki Urasawa que conta uma história como ninguém. Tem o Nicholas de Créci, Bastien Vivés, Cyril Pedrosa,Moebius...
Todos eles me influenciaram de forma visual e de como contar uma história. Também não posso esquecer de Florent Sacré (com quem já tive a honra de conversar) Kim Jung Gi e Craig Thompson. Acho que é isso (risos).

 LDG - E entre as webcomics brasileiras? Se já chegou a se render a elas, quais são as que acompanha ou as que mais gosta?

Glauber - Não tenho muito costume de ler webcomics...não me recordo de nenhuma agora que eu realmente leia e acompanhe. Lembro de um tempo que parei pra ler o Ledd, e tava me interessando pra saber onde ia dar a história. Mas eu acho que ele parou de desenhar...não sei o que houve.

Ledd, de J.M. Trevisan e Lobo Borges

 LDG - Nem mesmo essas tirinhas sem continuidade que tanto habitam a internet brasileira, como Dr Pepper ou Um Sábado Qualquer?

 Glauber – Leio de vez em nunca. Não tenho muito costume, leio mais as que aparecem na minha timeline, no Facebook.


LDG – Compreendo. E influência de outras mídias? Cinema, TV e música? Acha que tudo isso que consome influencia no seu trabalho? Quais obras, em específico?

Snarky Puppy, banda que o Glauber curte.
Glauber - Sim, eu adoro cinema, fotografia e música. Acho que isso tudo tem a ver com quadrinhos. De filmes...bom, difícil pontuar aqui. Vou tentar falar de alguns que lembro agora: Birdman, A Teoria De Tudo, A Árvore da Vida, etc. Fotografia não sei te dizer um artista em específico. Eu vejo muita coisa linda na internet e não pego o nome do cara. As bandas que estou escutando agora são Snarky Puppy, Jason Mraz, Juanes, KT Tunstall, Djavan, Ivan Lins, Laura Pausini, Testament, NickelBack, The Knack, The Pillows, etc. Eu sempre tô escutando muita música e vendo muitos filmes.

LDG - Posso ver que os quadrinhos que lê são bem diferentes entre si assim como as bandas que escuta também não possuem um gênero ou estilo padrão. Na sua opinião, esse ecleticismo e variedade prejudica ou ajuda nos seus trabalhos?

Glauber - Pra mim ajuda, por que eu não gosto de mesmice. Acho que te limita criativamente e te faz sentir coisas repetitivas. A gente não consegue ser igual todo dia, mesmo que queira. Tem dias que você tá mais animado, tem dia que você tá mais irritado...e tem dia que você tá animado e feliz e no outro tá aborrecido e triste, entende? São uma série de sensações por dia. O que eu vejo, escuto e sinto precisa ser assim também. Tem que haver um movimento, dentro e fora.

LDG - Acha que conseguiria, por exemplo, escrever uma história sobre tristeza e, logo após que a terminasse, escrever uma sobre amores correspondidos sem que o contexto de uma influenciasse na outra?

Glauber - Acho que sim. Mesmo porque eu sei me desapegar das sensações que sentimos quando criamos. O único problema de escrever uma coisa em seguida da outra é que a sua cabeça tá cansada, e ainda apegado com a outra história. O que eu sempre faço é dar um tempo até que esteja totalmente desapegado. O que eu quis dizer é que eu consigo fazer com que essas duas histórias te passem sensações distintas. Cada qual cumprir com a sua função. E não fazer com que ,de alguma forma, uma esteja apegada a outra. Não sei se ficou claro.

LDG – Ficou sim, ficou sim. Para dar início a um novo "debate" - Uma das formas de ter certeza de que sua história vai tomar o rumo que você deseja é deixando-a sempre em suas mãos. Você, então, terceirizaria uma "história" sua ou algum personagem, como fazem os criadores de super-heróis e como fez Mauricio de Sousa com a Turma da Mônica? Tipo, deixaria que outras pessoas criassem histórias para eles mesmo que corresse o risco dos personagens sofrerem alterações indesejadas por você?

A admirada turminha da Mônica, de Maurício de Sousa.
Glauber -  Não. Eu sou muito excêntrico nesse ponto e faria mais ou menos como Miyazaki: teria um estúdio pra apenas produzir o que eu criasse. O roteiro ,então, sempre ficaria nas minhas mãos, assim como o ângulo de câmera, as falas e tudo o mais. E a arte finalização deixar na mão dos ilustradores.  Uma coisa que eu to fazendo com um amigo é uma parceria, onde eu escrevi a história e ele desenha.  Mas o roteiro, sofreu pouca influencia dele, assim como os desenhos sofrem pouca influencia minha.  Acho que assim as coisas andam melhor, por que tem a mesma personalidade do começo ao fim. O jeito que a Marvel faz pode-se notar que os personagens tem várias facetas, e isso eu não gosto. É interessante que um trabalho em quadrinhos tenha uma franquia de produtos, mas deve-se levar em conta a integridade e autenticidade da obra.
 Mauricio de Souza sabe controlar isso melhor, por que as historias da Mônica seguem o mesmo padrão desde sempre. Não ocorreu o mesmo com a Marvel. Certamente, o Mauricio analisa tudo com muito cuidado.

 LDG - Sim, como ele mesmo diz, nada é publicado sem que ele ou sua filha Marina, filha com maior participação nos estúdios, leia antes.

Glauber - Pois é! Existe uma preocupação maior do que mercadologia e eficiência nas vendas
Hoje em dia eu não leio comics e esse é um dos motivos. Já tem muita coisa feita que não tem o menor sentido nas séries. Homem Aranha, por exemplo, era o que eu mais gostava e eles destruíram o personagem com histórias nada a ver,vilões piores ainda. Por isso que hoje as histórias não tem a mesma força e, nos filmes, ficam focando só no começo da série. Na minha opinião, esse personagem tá quase morto!

Homem-Aranha, que Glauber diz estar quase morto. 

LDG - Mas não acha que se fosse o Stan Lee que escrevesse SEMPRE, como era no começo, o personagem hoje em dia  não seria o ícone que é?

Glauber - Se fosse ele sempre, seria totalmente diferente o rumo do personagem. Porque quer queira quer não, quando a gente cria algo, é parte da gente. E só o criador sabe o que ele quer com a cria e que rumo ela deve tomar.
Hoje os filmes da Marvel tem um padrão de qualidade porque ele tá envolvido...tenho certeza disso.

LDG - E nesse tempo em que inúmeros quadrinhos são adaptados pra séries de tv ou filmes, você já imaginou alguma obra sua sendo adaptada pra outra mídia? Ou gosta de imaginar um quadrinho apenas como quadrinho para que a pressa do seu pensamento não prejudique a obra?

"Mãe" que Glauber desenhou imaginando que poderia virar filme!
Glauber - Eu fico imaginando sim! Adoraria ver a história "Mãe" no cinema. Aliás, quando a escrevi, eu fiquei pensando e adaptando ela pro formato cinematográfico. Tanto que a dividi em 4 episódios mesmo sendo uma história fechada. A única ressalva que faria seria participar da produção animada (ou filmada) para que assim nada se perdesse e o diretor não viajasse muito com adaptações. Mais ou menos como o Lourenço Mutarelli (Corpo Estranho, O Cheiro do Ralo) faz. Aliás, eu admiro esse cara demais. Não entendi a parte de "pressa do pensamento"

 LDG - Por exemplo, se você não acha que pensar na HQ como um filme pode atrapalhar que você continue a encarando como uma HQ e acabe prejudicando a mesma por causa disso.

Glauber - Bom, eu pelo menos quando faço HQ, procuro sempre utilizar da linguagem de HQ adicionado a linguagem do cinema. Isso em tudo que eu faço então não encontro esse problema de adaptação. Também sei que certas situações da HQ, se adaptada ao cinema, elas precisam de nova roupagem. Porque é utilizado o movimento e o som.

LDG – Então pra você funciona?

Glauber – Funciona!

LDG - Com esse seu pensamento de que a "terceirização de personagens"´pode prejudicar uma história...você toparia se fosse chamado pra escrever uma história pra algum personagem já existente?

Glauber - Se eu gostasse do personagem, sim. Mas você pode ter certeza que eu morreria de medo de descaracterizar ele. Por isso eu tenho essa preocupação com os meus personagens. Se uma pessoa quiser "terceirizar"o personagem dele(a), por mim tá ok.

LDG - Compreendido. Outro conceito - Você ilustra a história roteirizada por outras pessoas, mas roteirizaria algo por encomenda (quase como uma história feita como freelance) ?

Glauber - Claro que sim! Seria muito divertido! Eu não tenho restrição pra temas...quer dizer, terror eu não gosto. Então, tudo, menos terror, eu faria com gosto. A minha preocupação estaria mesmo com o prazo que me dessem. Porque eu gosto de estudar bem o que eu faço, odeio coisa mal fundamentada.

LDG - Mas não tem medo da pessoa ou instituição que tivesse incomodado ficar botando dedo no roteiro e acabar tirando a sua identidade da HQ?

Freelance que Glauber fez pra um casal. Fofo, não?
Glauber – Tenho (risos). Mas eu tenho a consciência de que desde o inicio, o projeto não é meu. Então fico mais tranquilo com isso. O que eu faço é ouvir o cliente, e saber se o que ele quer dá certo ou se fica bonito. Se não ficar, eu faço adaptações e explico os porquês.

LDG - Mas, por exemplo, deixaria ser publicado algum trabalho seu que você considerasse ruim mas que o cliente (que encomendou o trabalho) tivesse gostado?

Glauber - Sim, eu deixaria...se o cliente fizer muita questão ok. Mas eu não divulgaria (risos).

LDG - Pra você divulgar um trabalho seu, quais são as características que ele PRECISA ter? Cite três.

Glauber - Pra que eu divulgue um trabalho eu acho que ,essencialmente, PRECISA estar bonito. Então uma boa composição, boa escolha das cores e um bom contraste.

LDG - E o roteiro? Como o elabora a partir do momento em que a ideia surge na sua cabeça?

Glauber - Começo pelo ponto chave do roteiro que seria: o motivo dele existir. Tem gente que escreve focando no personagem principal e pra mim isso atrapalha. A história não tem motivo pra existir, e o personagem não adquire um propósito dentro da trama. Depois, eu escrevo o final. Eu preciso saber como ela vai acabar pra poder escrever o começo e depois o meio. Dessa forma, a história tem muito mais fundamento.

LDG - E quando se adapta histórias reais, como faz no seu projeto Love Files ?

Glauber - Aí fica mais fácil porque eu já tenho tudo: sei como tudo começou e como acaba. A minha unica missão é adaptar aquilo pra mídia em questão.

LDG - Como é esse projeto?

Glauber – Love Files eu comecei a produzir porque estava pensando em meios de ganhar dinheiro e ao mesmo tempo fazer o que mais amo, que são os quadrinhos. Já tinha dado um presente assim pra uma ex-namorada, e achei que poderia fazer isso para os outros. Porque não deixa de ser um presente bacana. Acabei encontrando o primeiro e segundo cliente, que pediram as histórias por encomenda. Aí é como contei: o cliente me manda a história meio que dissertando, e eu adapto pra quadrinhos. Depois o cliente avalia e eu finalizo. Pra fazer a versão impressa, eu peço permissão do cliente. Porque é a vida dele, tem total direito. Aí depende do tamanho da história (oito, doze, dezesseis, dezoito, vinte, vinte e quatro ou trinta e duas páginas), cada uma tem um preço.

Capa de Lifting Spirits, que você pode ler completa aqui!

LDG - E essas que foram produzidas, seriam histórias que você leria e recomendaria se não fossem suas ou as vê mais como um trabalho rentável mesmo?

Glauber - Nãoooo, foram histórias muito bonitas! Não sei se você leu, mas eu gostei muito do que descobrir. A primeira se chama Lifting Spirits e o que eu mais gosto de saber é que hoje eles são casados. Então isso me deixa muito satisfeito. Histórias com finais felizes. Aliás, eu sugiro dar uma lida. Vai ver como são histórias de romance bem bacanas. Se tiver difícil de ler os balões, pode fazer download das páginas.

Página de Lifting Spirits.
LDG – Mas enfim, para que a entrevista não fique quilométrica...seu projeto mais comentado atualmente é o Registros. Fale um pouco sobre ele.

Glauber – Sim. Bom, eu falo meio que a mesma coisa por aí (risos). Não tem muitas coisas diferentes também pra se falar (risos). Se trata de uma HQ que retrata minhas aventuras como mochileiro pela Argentina e pela Colômbia. Nessas histórias, coloquei um toque de poesia, de literatura, de drama, filosofia e aventura. Foi a maneira que encontrei pra traduzir tudo que vivi. Porque na real, é um pouco impossível de querer traduzir todas as maravilhas que é fazer uma viagem como  mochileiro. Mas as principais coisas tão lá. São 48 páginas de conteúdo bem bacana, que não se vê muito por aí. Todas são coloridas, tem uma sessão de dicas pra quem quiser se tornar mochileiro também. 

LDG - E como surgiu a ideia? Veio depois da viagem finalizada ou enquanto você viajava já estava pensando "Putz, isso aqui dá uma HQ, hein?" ?

Glauber - Não, não. Como disse lá no começo, eu precisava escrever uma HQ que fosse mais rápido de fazer, que coubesse dentro do meu tempo. A ideia veio uns vinte dias depois de eu voltar pro Brasil. Pensei comigo que seria uma boa contar, já que foram acontecimentos tão diferentes e bem longe do comum.



LDG - Sempre que termino de escrever qualquer coisa,a  primeira pergunta que me faço é - Por que os outros leriam isso? Então...por que acha que as pessoas leriam Registro? E você a leria, pra início de conversa?

Glauber - Acho que Registros vale a pena ser lido por pessoas que sejam curiosas pela vida e que gostam de desafios. Foi isso que me motivou a viajar. E durante a viagem, passei por transformações muito grandes. Acho que todo ser curioso, busca por essa evolução pessoal e Registros tem essa capacidade de conectar o leitor, desde a dúvida, o caminho do esclarecimento e a resposta. No final, se tem uma realização. Hoje me sinto muito mais realizado e através da história, conto como isso aconteceu. É praticamente um convite do tipo "ei, leia essa história aqui. Ce vai ficar louco querendo viajar também e descobrir coisas do mundo e de si mesmo que jamais poderia imaginar!"

Preview de Registros.

LDG - E por que resolveu ilustrar com este traço mais amigável ao invés do traço mangá que você tanto prefere?

Glauber - Porque eu acho que não caberia o estilo mangá. O assunto em si foge da narrativa do mangá, então era importante criar um traço. Quem me conhece sabe que minhas raízes são o mangá. E eu não consigo fugir muito...se você reparar, ainda tem muita coisa que lembra.

LDG - Consegue enxergar Registros crescendo e ganhando "sequências", mesmo que não sejam adaptadas de viagens reais?

Glauber - Eu prefiro focar em viagens reais...mas nunca se sabe, né?

LDG - E o medo de rolar aquela pressão? De toda viagem que for fazer acabar tendo, consigo mesmo, a obrigação de registrar em HQ?

Glauber - Na verdade não. Eu já tive uma conversa séria comigo mesmo pra que essa paranoia não ocorra. E decidi que somente as histórias que mudarem a minha vida de alguma forma merecem um registro.

LDG - Além, então, de persistência e teimosia...faz parte do seu lema o tal do auto-controle, né?

Glauber - Eu não diria que é um lema, mas é algo que procuro ter sempre dentro dos meus hábitos. Acho importante a gente estar se policiando, até pra não falar bobagem, ou se irritar demais...ou qualquer comportamento que cause desarmonia á toa.

LDG - Tudo isso pensando no bem estar da sua obra...e do seu mesmo, né?

Glauber – Exatamente. A viagem me ensinou que somos capazes de ter controle total sobre nossas vidas, mas não pela vida. Não podemos controlar nada, apenas participar.

LDG – Algo parecido com destino?

Glauber - O destino é entendido como algo pre destinado. E eu não sei se tudo é pré destinado...ou parte. Não sei mesmo. O que eu sinto é que a vida nos trás coisas pro nosso crescimento. Mas se aquilo já estava escrito pra você, eu não sei.


LDG - Entendo. Bem, Glauber, a entrevista já está chegando ao fim...então, gostaria de lhe perguntar mais duas coisas: Primeiro, para os leitores que estão pensando em começar a ler quadrinhos agora, o que você sugere como um bom HQ de início?

Glauber - Acho que se for uma criança, começa com Turma da Mônica que é legal. Se for adolescente, pode ler mangá ou comics...então eu sugiro Dragon Ball e X-Men. São clássicos que mostram os padrões de cada estilo e vai situar bem a pessoa.  se for adulto, que ele ou ela leia graphic novels, seja MSP ou títulos europeus e americanos. Ah!! Que leia também os mangás, seinen como Monster, de Naoki Urasawa.

LDG - E as dicas para quem está pensando em começar a trabalhar com quadrinhos?

Glauber - Pra trabalhar com quadrinhos, antes de tudo tem que aprender a desenhar fazendo cursos de desenho. Assim que a pessoa se sentir bem desenhando, que tudo estiver meio que dominado, aí fazer um curso de roteiro (que a maioria não faz). Quando for começar a praticar, fazer histórias curtas de duas páginas com começo, meio e fim. Além de fazer tiras. Começando a se sentir confortável, aumenta o número de páginas. Fazer vários temas pra ir se acostumando com os tempos que cada tipo de quadrinho dispõe. Tenho certeza que, começando assim, essa pessoa vai se tornar um grande profissional!


LDG - Muito obrigado, Glauber. Valeu mesmo por ter topado participar da entrevista o/ !


Não deixem de acompanhar o Glauber no Face e na página de Registros 

Disney, Star Wars e Alienígenas.

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 A notícia é velha e todo mundo já sabe: A Disney comprou a LucasFilm, obtendo assim os direitos das franquias de Indiana Jones e Star Wars, amadas por nerds de todo o mundo.
 Certo, isso não é novidade pra ninguém. Muito menos o fato de que um novo episódio de Star Wars está sendo produzido pela Disney. Já está até sendo gravado, com o fabuloso J.J. Abrams na direção.
 Mas muitos se preocupam, pois não sabem se a Disney tem culhões o suficiente pra acertar em um filme de Star Wars. Gente palpitando na internet é o que não falta , inclusive, é isso que eu to fazendo agora.
 A Disney já se auto-parabeniza por estar com Star Wars só pra ela, tanto que até lançaram um episódio de Phineas e Ferb (a melhor série animada da Disney dos tempos de hoje) inspirado totalmente em Star Wars.
 Mas sabemos que a Disney manja mesmo é de magia. Bruxas, princesas, fadas...será que se dá bem com alienígenas?
 E é examinando cinco filmes da Disney (oito, se contarmos as continuações) sobre alienígenas que poderemos responder a pergunta: Quais elementos dos aliens da Disney podem ser aproveitados em Star Wars?




Em primeiro lugar, é preciso citar o filme mais antigo e ainda assim recente da Disney que inclua aliens (esqueça os filmes da  Witch Mountain, falaremos deles depois) : Lilo & Stitch, de 2002.

O filme tem tudo que uma boa animação da Disney precisa: Personagens fofos, boa música (som do Havaí com Elvis Presley), uma arte bonita e história cativante com lições de vida escondidas na trama.
 O filme fala sobre Lilo, uma garotinha havaiana órfã problemática que vive apenas com a irmã mais velha e decide adotar um cachorro. Mas sua vida se torna um pouco agitada demais quando adota  o Experimento 626, ser assassino criado em laboratório por um alienígena do mal que, ao fugir da prisão, caiu na Terra. Lilo o batiza de Stitch. Em uma jornada cujas missões são fazer Stitch se tornar bom e protegê-lo da polícia espacial, Lilo & Stitch se tornou um clássico assim que foi lançado.
 A questão é: Os alienígenas e o "universo espacial" deste filme podem ser aproveitados em Star Wars?
 Maior parte do filme se passa na Terra, exceto pela primeira cena que toma acontecimentos no espaço, no julgamento que condena o doutor Jumba Jookiba á cadeia por criar aliens do mal (como Stitch). Desse modo, o espaço inteiro (sem separação por planetas) é visto como uma única república, com representantes próprios e própria legislação.
 Já que apenas a Terra parece ser a única de fora dessa união legislativa, as coisas ficam um pouco sem sentido. Porém, o sistema de organização é inteligente em eleger um líder, o que nos lembra O Império de Star Wars. É estranho afirmar isso, mas a forma de governo de Lilo e Stitch pode ser aproveitada em Star Wars.
 Já a aparência dos alienígenas não. Todos tem características aleatórias, só se parecem com seus parentes e não possuem aparência padronizada. O pior de tudo é que nenhum deles é tem aparência humana. Todos são monstros e se parecem com animais. Isso não é aceitável em Star Wars, pois um filme todo em CG nunca é bom.
 As continuações de Lilo & Stitch (três filmes, uma série animada e um anime) apresentam outros experimentos de Jumba Jookiba e seus poderes. O que também não é bom em Star Wars, pois o único poder deve ser A Força. Superpoderes acabariam com a graça dos sabres de luz ou das pistolas.
 Assim, de Lilo & Stitch pra Star Wars só ficam o sistema de governo e estética de naves, que são funcionais, simples e carismáticas...como a trilogia clássica e boa de Star Wars.


 Mais tarde, em 2005 foi lançado O Galinho Chicken Little, dirigido por Mark Dindal (de Cats Don't Dance e A Nova Onda do Imperador).
 Na minha opinião um dos piores filmes que a Disney já ousou produzir. O Galinho Chicken Little fala sobre Chicken Little, um galinho atrapalhado que certo dia afirma para toda a cidade de Oakey Oaks que o céu caiu sobre sua cabeça e é chamado de louco por todos, inclusive por seu pai. Com o passar do tempo, se descobre que aquilo era um pedaço de nave espacial que se camuflava no céu e por isso parecia que o "céu estava caindo", e que a  Terra estava sendo invadida por um planeta que queria apenas recuperar algo deles que estava em nosso pequeno planeta azul. Sem spoilers.
 O filme é horrível. Personagens não são cativantes. Arte tosca. Roteiro bobíssimo e fraco. O que salva e se aproveita é a trilha sonora.
 Sinceramente, a única semelhança que Star Wars e Chicken Little devem ter é o fato de ambos possuírem aliens como personagens.
 ETs com aparência insignificante e naves de estética sem funcionalidade ou agradabilidade ao olhar.
 O único ponto bom do filme é a trilha sonora (que vai de Queen a Spice Girls), e nisso Star Wars não pode se espelhar devido ao fato de que trilhas originais DEFINEM Star Wars.
 Portanto, J.J. Abrams, esqueça a existência dessa animação.
 Nota: Citar esse filme aqui não é motivo pra você assistir. Se a curiosidade permanecer, assista a última cena do filme, que é a melhor e única digna de ser vista.
 Próximo filme!!

 Infelizmente, o histórico da Disney com alienígenas possuiu mais filmes ruins do que bons.
 A Montanha Enfeitiçada foi lançado em 2008 e não tinha muitas coisas que incentivassem alguém a gostar. Além de possuir The Rock como protagonista (não que ele seja mal ator, mas devia passar menos tempo dirigindo e mais tempo surrando bandidos), o filme também tem o mesmo diretor de Ela é o Cara, é um remake de um filme de 1975 e possui efeitos especiais dignos de Passageiro do Futuro.
 Mas possui alienígenas e, nesse momento, é isso que importa!


 O filme foca em Jack Bruno, um taxista e ex-cobrador de dívidas da máfia que acaba atendendo dois passageiros um tanto quanto curiosos - Adolescente com superpoderes que se dizem alienígenas e que precisam chegar a uma certa Montanha Enfeitiçada para que salvem o planeta Terra.
 Outro filme que precisa ser citado devido ao conteúdo extraterrestre que possui em sua trama. Mesmo se passando inteiramente em nosso planeta, todo o enredo é relacionado com aliens e os motivos deles estarem na Terra.
 Mas para comparar com Star Wars, estes ETs ao menos tem aparência humana. E não seria espantoso se os personagens principais de Episódio VII fossem assim, já que boa parte do elenco anunciado é jovem (como Mark Hammil era na época em que interpretou Luke Skywalker).
 Além disso, os aliens do filme também se assemelham aos Jedis, já que seus poderes (força, telecinese e persuasão) são semelhantes aos que a Força proporciona aos cavaleiros das galáxias.
 No caso, dá pra imaginar que quando o roteiro foi escrito, o roteirista estava pensando "Bem, o que de Star Wars eu posso aproveitar nesse filme?"


 Depois disso, vem ainda outro filme péssimo que a Disney Animation Studios lançou.
 Em 2011, tivemos Marte Precisa de Mães, de Simon Wells (diretor do conceituado Balto).
 O filme fala sobre Milo, jovem terráqueo que tem a mãe abduzida pelos ETs de Marte, planeta onde os bebês são criados por máquinas que só saberão tratá-los se forem programadas por mães reais. No caso, as mães da Terra. Então Milo, o terráqueo Gribble e a marciana Ki vão em busca da mãe raptada.
 Se até a premissa é ruim, imagina o filme inteiro. Com motivação fraca e arte tediosa (por que ainda insistem em usar captura de movimento em filmes infantis? Expresso Polar prova que isso só torna a experiência menos divertida.), o filme não agrada a crianças e muito menos a adultos.


Mas tem algo bom nisso tudo. As naves.


 A estética de branco com preto sempre funciona bem em temas espaciais ou robóticos. Isso explica porque carros brancos são bonitos, porque a EVA de Wall-E é tão charmosa e porque os Stormtroopers (do próprio Star Wars) são reproduzidos em larga escala (bonecos, roupas, posteres, camisas) até hoje.
 Se J.J. Abrams quiser optar por um visual mais moderno com tecnologia bem mais avançada presente em Star Wars (já que vai se passar um tempo depois do Episódio VI e a tecnologia sempre tende a estar em desenvolvimento), deveria ficar de olho na nave presente em Marte Precisa de Mães.
 Principalmente no interior dela que é ainda mais bonito.
 Com um visual um pouco sujo e com a luz alaranjada iluminando, a cabine de controle da nave lembra bastante o interior e o painel da Millenium Falcon.
 Com a evolução da tecnologia, aqueles painéis a mais seriam requintes necessários e assim se encaixaria muito bem no contexto da época em que o Episódio VII se passará.
 Pelo menos pra isso, Marte Precisa de Mães tem utilidade.


 No entanto, no intervalo entre Lilo & Stitch e O Galinho Chicken Little, a Disney lançou um filme com temática espacial que ficou guardado para que o mencionássemos somente agora.
 Em 2002, estreou Planeta do Tesouro, dirigido por John Musker e Ron Clements (famosos por Pequena Sereia, Hércules e Aladdin). O MELHOR filme com temática espacial já produzido pela Disney.


 Esse filme foi claramente influenciado por Star Wars, pois tudo que ele tem de melhor Star Wars já teve em sua época. E agora que Disney e LucasFilm são uma coisa só, é hora de Star Wars ser influenciado por Planeta do Tesouro.
 O filme fala sobre Jim Hawkins, garoto aventureiro que ao ganhar um mapa de um alien moribundo sai em uma jornada com uma tripulação de piratas espaciais (em uma nave em formato de caravela).
 É literalmente uma adaptação do livro Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson (mesmo autor de O Médico e o Monstro), mas com características fortes de ficção científica e espacial.
 O céu alaranjado e com cor de poeira/areia que é mostrado em todo o filme é lindo e pode ser recriado facilmente em Star Wars. Primeiro, porque faria muitas alusões ao deserto de Tatooine. Segundo, porque não seria tão difícil conseguir cenários assim em Abu Dhabi, onde algumas cenas do Episódio VII estão sendo gravadas, como vemos nesse vídeo com J.J. Abrams até mostrando um novo alien-boneco.


 E nesse caso, é bom mencionar os aliens.
 Como Star Wars costuma usar bonecos para representar seus aliens randômicos, seria ótimo usar os aliens de Planeta do Tesouro como personagens.
 Além de alguns aliens terem aparência humana (como Jim Hawkins), outros parecem monstros e outros já lembram animais humanoides (como cabras e gatos).
 Todos os conceitos espaciais e extraterrestres apresentados em Planeta do Tesouro são perfeitos e cabem adequadamente no universo de uma galáxia muito distante.


  Hologramas ilógicos.
  Manobras radicais em naves/jatos.
 A estética das naves em formato de navio é ótima. É só tampá-las e pronto, temos naves rebeldes lindas e prontas para o uso.
 Aliens carismáticos que só se definem como assustadores ou amigáveis quando chega a hora da ação.
 Robôs amigáveis como Ben da Disney ou os clássicos C-3PO e R2-D2.
 Enfim, Planeta do Tesouro é a resposta para duas perguntas que perturbam o povo nerd.
 Primeira  - A Disney sabe fazer filmes espaciais? A resposta é sim! A resposta é com certeza. Só quem já assistiu Planeta do Tesouro pode afirmar isso sem medo de se decepcionar com o próximo Star Wars.
 Segunda - Qual filme da Disney que J.J. Abrams deveria estar assistindo repetidamente pra incrementar no roteiro e detalhes de Episódio VII?
 Quem sabe dessa vez, a Disney finalmente consegue um Oscar de melhor filme? E Star Wars finalmente sai do ramo dos prêmios técnicos e finalmente vence um Oscar de melhor filme?
 Basta que Luke, Han Solo, Princesa Leia e toda a velha trupe da galáxia se reúna e encontre o planeta certo....o Planeta do Tesouro.


 E você? Lembra de algum outro filme da Disney com ETs que ficou faltando? Acha que poderia acrescentar algo no novo Star Wars? Comente!

Top V - Atores que faltaram em Mercenários 3.

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  Mercenários 3 acabou de chegar aos cinemas. Ainda não viu? Não se preocupe, aqui você não vai encontrar nenhum spoiler, pois um filme de tamanha excelência deve ser vivenciado. SEM SPOILERS!
 A franquia de reunião dos velhos (ou clássicos, melhor dizer assim) atores de ação da Sessão da Tarde agora chega em seu terceiro e provavelmente último 'capítulo'.
 Mas mesmo com um elenco com 17 grandes nomes da ação ou da luta (no caso de alguns novos nomes que se juntaram á trupe de brucutus), muitos atores ficaram de fora e não é difícil citar apenas cinco que poderiam ter sido chamados e feito Mercenários 3 se tornar ainda mais másculo, poderoso e excelente.
 Lembrando que nessa lista você não vai encontrar nem Bruce Willis (pois esse não aceitou participar do filme porque receberia menos que quatro milhões de dólares) ou Jackie Chan (pois esse não aceitou o papel que teria, por achar que merecia um papel de maior destaque no longa).
 Abaixo, cinco BROS que sequer foram cogitados para o elenco mas que realmente fizeram falta em Mercenários 3!





V - Lou Ferrigno

  
 Há muito tempo atrás, na época em que Schwarzenegger ainda era fisiculturista e sonhava em ser Mr. Universo (até que finalmente se tornou Mr. Universo), ele tinha um rival. E este, senhoras e senhores, era Lou Ferrigno.
 Fissurado por vencer Schwarza nas competições, mitos dizem que Ferrigno até mesmo grunhia "Arnold" enquanto malhava (como vimos no filme sobre fisiculturismo de 1977, Pumping Iron). 
 E como na época o que fazia sucesso eram atores extremamente fortes, Ferrigno logo foi contratado para interpretar o incrível Hulk na série de TV que se tornou clássica, em mais três filmes clássicos onde era o Hulk. Isso sem mencionar que se tornou tão icônico como Hulk que voltou a dublar o Gigante Esmeralda em algumas séries animadas da Marvel e nos dois longas do personagem que tivemos antes de Vingadores (em 2012). 
 Enquanto Schwarzenegger continua na ativa gravando filmes, até que bate uma tristeza quando vemos Lou Ferrigno vivendo de vendas de fotos autografadas na Comic Con. E como ainda não está tão acabado fisicamente pois o cara já lutou contra URSOS, ocuparia facilmente um bom lugar na equipe de Mercenários da qual Schwarzenegger participa.
 E isso, com certeza, geraria boas risadas!


IV - The Rock

 Não importa o que ele diga, é impossível chamá-lo de Dwayne Johnson. Seu nome foi The Rock, é The Rock e será The Rock eternamente.
 Antes de virar ator, The Rock foi lutador profissional de wresting e jogador profissional de futebol americano. Isso se nota em sua aparência agressiva, seu corpo assustador e nas suas orelhas devastadas que todo lutador digno de WWE deve ter.
 Mesmo com potencial para se desenvolver em imensos papeis de ação, The Rock sempre se destacou em comédias familiares como Treinando o Papai e O Fada do Dente. 
 Além de ter um excelente carisma (coisa que Vin Diesel não tem e por isso não serve para um filme deste cacife), The Rock se encaixaria muito bem em Mercenários 3 por três razões específicas:
  • Se até Randy Couture,que só é famoso por WWE, está na franquia desde o primeiro filme, por que um lutador com grande nome no cinema não pode integrar o grupo? The Rock humilha Couture com um braço nas costas.
  • Com o corpo monstruoso de músculos, poderia muito bem ocupar o lugar de Hale Caesar (personagem de Terry Crews) quando o mesmo fica fora de combate durante determinado momento do filme.
  • Se o fato dele não ser tão velho for um impasse, lembre-se que Jason Statham também não é nenhum idoso e é um dos protagonistas da franquia, junto com Stallone. E The Rock até que é velhinho. Ele tem uma foto de pochete, só gente velha tem foto de pochete.

III - Samuel L. Jackson


 Nesse caso, não há muito o que falar.
 As pessoas não costumam recomendar que Samuel L. Jackson esteja em algum filme...porque ele sempre está! Em todos os filmes. É quase tão onipresente quanto Morgan Freeman (e olha que Morgan Freeman é Deus!).
 Jackson tem muito mais currículo que a grande maioria dos brucutus contratados por Stallone pra essa franquia. Além de ser até hoje um agente da SHIELD ele já foi super-herói, super-vilão em Corpo Fechado, guerreiro jedi em Star Wars, herói de animações, o cara, o afro samurai, um caçador de Jumpers, um escravo, traficante, mafioso e pianista de igreja.
 E se argumentarem que seu estado físico não está adequado para um filme de ação, esta cena de Serpentes A Bordo prova que pelo menos ele ainda tem estilo e marra o suficiente para botar medo em qualquer um.
 Antonio Banderas também está no filme, e sua aparência não é diferente da de Samuel L. Jackson. Os dois estão risíveis e beirando a aparência de Renato Aragão. A diferença é que Jackson é mil vezes superior...por já ter sido um jedi careca com o sabre de luz rosa.


II - Tom Cruise


 Convenhamos, Bruce Willis faz falta. Além de ser um ótimo ator, seu papel (Church) era importante nos filmes dos Mercenários. Sua importância é tão grande, que Harrison Ford (nome novo no elenco) mal dá conta de substituí-lo. O ideal seria que houvesse um assistente de peso para compensar a ausência de um clássico brucutu com um clássico não-tão-brucutu-assim.
 Tom Cruise entra como uma luva no papel de Church, no papel de Max Drummer ou em um papel apenas para si. Claro, esse tipo de personagem se encaixa bem em Cruise devido a sua vasta experiência e habilidade adquirida na saga Missão Impossível, onde investigar, espionar e lutar são suas atividades favoritas.
 Com cinquenta e dois anos de idade nas costas, Cruise ainda é o espião perfeito de Missão Impossível e o mocinho heroico de Top Gun, e faria dos Mercenários uma equipe mais...politicamente correta.
 O contraste seria imperdível!!


I - Clint Eastwood


 É preciso dizer mais alguma coisa?
 Clint Eastwood foi o primeiro de todos os brucutus, e até hoje está vivo...e ativo!
 Gran Torino (de 2008) é a prova de que seus oitenta e quatro anos de idade não significam problemas de saúde ou falta de talento.
 Tendo passado por filmes de caubói, filmes espaciais, filmes de romance e filmes criminais, Eastwood tem autoridade pra fazer com que Mercenários fique cada vez melhor.
 Com as marcas de um bom e másculo ator de ação em cada uma de suas rugas, Eastwood poderia ter ficado com papel de velho recrutador de mercenários no lugar de Kelsey Grammer (um jovenzinho de 59 anos com filme da Barbie no currículo).
 Porém, se ocorrer de Mercenários 3 se tornar uma franquia com mais de quatro filmes, é bom que Eastwood não apareça nem no próximo, para que finalmente surja no último filme como vilão.
 Assim, então, fazendo companhia aos maravilhosos bad guys que já enfrentaram os Mercenários, como Van Damme ou o atual vilão da vida real Mel Gibson.
 Porque com um time forte desse jeito, os melhores brucutus é que devem ser os vilões...Assim, a batalha fica justa.

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